Cap. 10 - Um tal Moreninho...
- © by ysaflor
- 2 de nov. de 2019
- 20 min de leitura
Atualizado: 26 de jan. de 2023

— Ysa, você tá se saindo muito bem na empresa, todos estão elogiando seu trabalho. Eles falam que você faz tudo com perfeição.
— Essa é minha marca Ana. Se não for perfeito, prefiro não fazer.
— To muito satisfeita com você. Por que não te conheci antes?
— Essa é a pergunta que me faço todos os dias.
— Ysa, vi que você deu uma conferida em todos os setores da empresa. Achou alguma irregularidade?
— Não Ana, mas achei muita gente encostada e trabalho por fazer.
— Me manda os relatórios, Ysa, vou colocar eles pra trabalhar direito.
— Não precisa Ana, os relatórios estão em sua mesa. E eu já fiz o meu trabalho e o deles também.
— Meu deus, Ysa, você não é paga para fazer o trabalho dos outros.
— Sou paga pra dá meu melhor, Ana, e é isso que tô fazendo. Não sei ver pendencia e ficar parada. Não gosto de ficar parada, e não fiz nada demais. Acabei meu trabalho cedo hoje e aproveitei pra dar uma organizada nos outros setores.
— E meu clip, Gustavo acabou de editar?
— Ele nem começou, disse que você encheu ele de trabalho e ele tem uma semana editando os papéis pra mandar pra gravadora.
— E o meu clip? Preciso dele pronto na sexta, hoje já é quarta, não vai dar tempo.
— Misericórdia, quem passa dois dias pra editar um clipe?
— Gustavo e todos os editores que já trabalharam comigo.
— Então demita seus editores, eu já editei, tá na sua pasta de vídeos.
— Ysa, como você consegue?
— Não achei moleza na vida, Ana. Aprendi a trabalhar com agilidade. Tive que me virar sozinha desde cedo se quisesse um prato de comida, então não suporto gente lerda que trabalha conversando achando que tem o tempo do mundo todo pra fazer as coisas.
— Ysa, você precisa relaxar um pouco.
— Quer que eu relaxe e fique igual seus funcionários?
— Deus me livre, então não tá mais aqui que falou.
— Que maquiagem é essa, Ana?
—Tô bonita? — falou ela rodando — foi a maquiadora que fez, disse que tô arrasando.
— Ana, sua entrevista é daqui a 20 minutos. Meu deus, vai lavar essa cara, vem cá, vou tentar dá um jeito .
— Ai, Ysa, o que foi?
— Ana, se olha aqui nesse espelho. Você acha que essa maquiagem de Hallowen é usável, principalmente de dia? Você se olhou no espelho?!
— Não. Ai meu Deus, que horror.
— Tá pesado demais, tira isso. Ana, te falei que sou maquiadora e quando você precisar me chama, não falei nada porque achei que ela era profissional.
— Eu achei que era, Ysa.
— Mas ela nunca maquiou você antes?
— Não.
— Por que?
— A outra que fazia minha maquiagem se mudou pra outro estado.
— Ai Ana, sua maquiadora agora sou eu, demite!
— Ysa, não posso sair demitindo as pessoas da empresa e ficar só com você, você têm funções demais aqui .
— Eu dou conta, se não desse não ofereceria, demite essa incompetente. Vou perguntar pra ela se ela tá te preparando pro halloween fora de época, que absurdo!! — falei abrindo a nécessaire e pegando o demaquilante — Tem dois tons a mais de base que a cor da sua pele, seu pescoço tá marcado, o delineado escuro te deixa 10 anos mais velha. E esse glitter no olho em plena 10 da manhã? Vou fazer uma pele iluminada, colocar um batom terra, um rímel, e você tá pronta.
— Você consegue fazer isso em 15 minutos?
— Faço em 8 minutos, Ana. É a make que eu faço quando tô com pressa. Não dá tempo de fazer nada elaborado, mas vai ficar bonito e natural, confia em mim.
— Eu confio, Ysa. Vejo como você se maquia, acho lindo, queria saber eu mesma fazer.
— Vou te ensinar. A gente faz um curso de auto maquiagem amanhã, então. Prontinho, acabei.
— Nossa, Ysa , que perfeito. Que base é essa?
— É essa aqui, comprei naquela viagem que fizemos.
— Jura?
— Sim.
— Adorei, mas seu tom de pele não é diferente do meu?
— É sim, por isso misturei um pouquinho da base que eu uso como contorno.
— Ah, que perfeito! Você não contornou com pó?
— Só a noite. De dia prefiro usar uma base mais escura, o resultado fica natural.
— Você é incrível.
— Você é linda!
Bruno, espalhafatoso, entrou gritando:
— Aiiiii amiga, dessa vez você acertou na maquiadora, hein? Nunca vi você com uma pele tão natural, iluminada... e esse batom aí? Ai, quero sua maquiadora, vou lá pedir a ela pra passar um pó translúcido em mim, também vou aparecer na TV. Vou lá no camarim
— Ei Bruno, olha a minha maquiadora aqui, bem na sua frente.
— Ysa? Quê? Cadê a que você contratou ontem?
— Foi embora, e ligue pra ela não voltar. Meu deus, me deixou que nem uma velha, me encheu de sombra preta, louca!
— Ysa, você salva o dia de qualquer pessoa.
— Senta aqui que agora vou salvar sua cara amarela, o que você passou?
— Eu? Nada!
— Para de mentir, Bruno, que conheço uma pele com reboco a quilômetros de distância. Se você quer ser elegante nunca mais use pó de banana.
— Como você sabe?
— Experiência Bruninho.
— kkkk, ninguém engana Ysa Flor, Bruno.
— Tão novinha e tão malandrinha...
— Ai, não tira tudo.
— Você tá parecendo uma bixa pobre em final de balada, Bruno. Um homem chique de terno não pode vacilar assim.
— Ai, me deixe linda e iluminada, igual a Ana Carolina.
— Ah, pra chegar aos pés de Ana você tem que comer muito feijão ainda.
— Olha Ana, Ysa me colocou no chão.
— Kkk, vira o rosto e deixa de se mexer.
— O que você tá fazendo?
— Passando um prime pra fechar esses poros, e depois só vou passar um pó pra selar...
— Pronto!
— Que perfeito! Ysa do céu, os buracos na minha cara sumiram, como você fez isso?
— Prime, bb, e quanto mais maquiagem você colocar mais visível e artificial vai ficar.
— Ysa do céu, tô passada! Quero o nome desse troço e desse pó maravilhoso.
— Tem alguém batendo na porta. Entra!
— Oi Ana, a equipe que vai te filmar chegou.
— To indo lá.
— Boa sorte, Aninha, não fica nervosa, não fica apertando as mãos e olha pra câmera.
— Ei, o empresário e produtor dela sou eu.
— Perdeu Bruninho, você é só empresário agora.
— Que abusada, Ana, você tá ouvindo isso!?
— Ysa, me espera. Depois da entrevista vamos almoçar naquele restaurante que você adora.
— Ok Aninha, vou pra minha sala.
Cheguei em minha sala e já dava pra ouvir o dedilhado do violão do moreninho. Vinicius também tocava, era super afinado, mas eu já conseguia reconhecer a diferença entre eles. Markus tocava dando pausas e fazendo o dedilhado mais lindo que eu já ouvi.Vinicius era mais suave, porém direto, sem pausas, e aquele dedilhado me levava a uma conexão tão grande que eu não sabia explicar. Sentei, apaguei a luz do escritório, peguei meu chaveiro led e fiquei ouvindo e brincado com o led. Meu pensamento foi longe. Acho que entrei em algum tipo de transe, sei lá, só sei que aquele toque me dava tanta inspiração, e eu comecei a rabiscar uma composição, mas nada além do refrão que, quem sabe, um dia podia vir a ser uma música. Acordei com Ana entrando.
— Vamos, Ysa.
— Como assim, já acabou?
— Sim. Foram os 12 minutos mais longos da minha vida, odeio câmeras.
— Ai, eu adoro, então manda vir me entrevistar, sei coisas terríveis a seu respeito e ia adorar contar.
— Deus me livre você na TV, não ia dar espaço pra mais ninguém, kkk,. Ia ser Ysa de manhã em Ana Maria Braga ensinado os biscoitinhos que gamou o coração do delegado, Ysa em Fátima Bernardes ensinado a ser personal stilyst, Ysa no vídeo show, Ysa no jornal nacional, Ysa em Amor e Sexo, Ysa em Empreendedores de Sucesso... Ysa, as emissoras vão brigar por você e o mundo vai ser seu. Misericórdia Ysa, e você fez o relatório?
— Fiz ontem à noite, tava sem sono, demorei a dormir então aproveitei e deixei lá na sua mesa, não viu?
— Não, nem entrei em minha sala ainda, vim direto pra cá, tô morrendo de fome, vamos?
— Vamos. Graças a Deus que fiz esse relatório à noite porque agora eu estava totalmente aérea, na vibe de seu filho.
— Como assim?
— É ele que tá tocando lá embaixo, né?
— Sim, chegou cedo, me pediu pra ensaiar aqui.
— E ele tá sozinho por que? Cadê os outros?
— Vão vir a tarde. Ele quis vir antes pra não errar nenhuma nota. A apresentação de hoje à noite vai ser importante pra mim e para eles, que serão divulgados em um grande evento.
— Hum... gostei do seu filho, sabia? Ele toca bem, e como eu, se esforça, não gosta de entregar qualquer coisa, acho que vamos nos dar bem.
— Não! Esqueça! Meu bebê é mais novo que você.
— E o que idade tem a ver, Ana? Idade não prova nada. Ele é mais novo que o líder da banda, não é?
— Sim.
— E o líder não dá metade do exemplo que ele, e isso se chama maturidade Aninha, idade não prova nada. Aposto que ele também teve uma infância difícil, começou a trabalhar cedo e teve que se virar na vida . Não sei a história do seu filho, mas com certeza esse moleque ainda vai te encher de orgulho. Coloque ele pra ser o líder da banda.
— Você tá certa sobre o que falou. Markus é o mais esforçado de todos, mas ele não presta como líder. Ele é esquentado demais, não sabe resolver as coisas na conversa, é temperamental e não tem nenhum treinamento sobre gerenciamento. Já Peu é o mais tranquilo, leva tudo na esportiva, não se ofende por pouco, tem uma boa convivência com todos eles, e foi o que eu analisei pra colocar como líder.
— Ok, plausível suas exigências. Vamos andando, Ana, porque tô com fome.
— Vamos ...
— Mas você não pode observar somente isso, o mais importante você não tá enxergando.
— O que?
— Dom, Ana. Dom é dom, e não precisa de papel pra exercer porque já viemos aptos a fazer. Observe quando estão reunidos, as ideias sempre vem do Markus, Peu só concorda. Olha eles andando, Markus tá sempre à frente, e você já observou a projeção do corpo e a posição das mãos dele? Markus é um líder nato, Ana. Talvez ele só precise trabalhar um pouco dessa convivência de liderança, mas ele já nasceu pronto, a banda ia crescer mais rápido com ele na liderança”.
— Eu não sou louca, Ysa, você fala assim porque você não sabe quem é Markus, ele né esse anjo que você observa, não.
— Ave Maria, você falando assim fico doida, adoro um diabinho com cara de anjo.
— Ysa, deixa o meu BB onde tá, ele tá bem demais assim.
— Bb é? Olha que nem de longe ele me parece BB, acho que vou ter que conferir de perto.
— Ysa Flor! Que feitiche louco é esse que você tem com meu filho?
—Ai Ana, vários, nem te conto. Aquele dedilhado dele é perfeito. Fico imaginando se ele é tão bom assim com os dedos como é tocando...
— Oh, Ysa, sua pevertida.
— Ai Ana, nem contei metade.
— Conta que quero saber o que você anda pensando do meu BB.
Ela entrou no carro.
— Coloca o cinto, Aninha.
— Já ia colocar, calma.
— Você tem mania de andar sem o cinto, que eu já observei.
— O que você não observa? Mas me conte a putaria, vá!
— Não é putaria Ana, é arte.
— Me conte mais sobre sua arte. Me dá até medo do que vou ouvir.”
— Nada demais Ana, não tenho culpa se a voz do seu filho me enlouquece, me deixa arrepiada, te juro.
— E aí?
— Nada, só tava entediada no escritório, sentadinha, ouvindo ele tocar e estava tudo bem até ele começar a cantar. Ana, que voz de comando ele tem, me incendiou na hora.
— E o que você fez Ysa Flor?
— O que qualquer um faria no meu lugar. Me masturbei e gozei bem gostoso.
— Ysaaaa , Safada! Não acredito que você me disse isso!
— Quer que eu minta?
— Meu deus. Kkkkkk, tô rindo de nervoso. Ysa, você não pode fazer isso no trabalho
— Ana, você só sabe porque eu contei, e como te disse, se você me desse trabalho de verdade eu não tinha ficado entediada.
— Meu deus, tenho uma tarada no prédio, meu filho corre perigo com você lá. Tenho que arrumar um estúdio pra eles ensaiarem urgente. Já vi que lá nã vai dar certo, vocês dois no mesmo espaço não vai dá nada que preste. Deixa eu falar uma coisa. Você vê ele assim, parado, quietinho te olhando de longe, mas quando ele resolver pegar pesado ele vai te jogar naquela mesa e vai te comer. Ele é de fogo Ysa, não aguenta provocação. Se ele fica sabendo de um negócio desse meu deus, já era pra você.
— Ai que delicia. Ele é de fogo, Ana? Eu também sou, olha que perfeição. Você me fez imaginar coisas que eu não queria. Ele chegando cheio de fogo, me jogando em cima daquela mesa, a roupa caindo no chão e eu gemendo no ouvido dele: “vai safadinho...”
— Ysa Flor, você hoje tá demais. Kkkkkkkk, eu continuo rindo de nervoso. Vou tirar meu filho dessa empresa urgente. Você tá proibida de encostar perto dele.
— Ai Ana, aí você me pega de jeito. Faz tudo comigo mais não proibe não, meu cérebro não atende este comando. Quanto mais proibido, mais gostoso vai ser.
— Ysa Flor, não conhecia esse seu lado tarada”.
— Há vários lados que você não conhece, Aninha.
— Ysa...o poço de mistério sem fim... Ysa você é alguma ninfomaníaca? Tão perfeita, tinha que ter algum defeito.
— Ah, se meu defeito fosse esse eu ia tá feliz. Tem coisa melhor que gozar, Ana? Se tem, deus deixou só pra ele.”
— Realmente não tem. Chegamos, graças a deus.
— Adoro esse restaurante.
— O que você vai querer hoje?
— Tô querendo comer frutos do mar com uma saladinha.
— Boa escolha.
— E você?
— Só consigo pensar na sobremesa.
— Ave maria, Pety Gateau, acertei?
— Em cheio. Kkkkkkk”.
— Então tira o cavalinho da chuva, Petit Gateau não pode mais. Sua sobremesa agora vai se chamar Petit Gatá.
— Não começa, Ysa, não vou ficar sem sobremesa.
— Ana, te fale, eu vou dar um jeito, mas essa você não pode, você precisa se cuidar.
— Era só o eu me falatava...
— Não reclama, é pro seu bem.
— Tô curiosa pra saber por que Petit Gatá.
— Logo logo você fica sabendo. Depois do almoço você tem dentista e as 4 nutri.
— To lembrada, Ysa.
— So tô avisando porque semana passada você faltou a consulta. Você sabe o trabalho que é conseguir uma consulta com esse dentista? Praticamente tive que me vender.
— Como assim?
— Você faltou a consulta e a agenda dele já tava fechada. A secretária dele disse que não poderia encaixar, então fui lá pessoalmente.
— Ai meu Deus, Ysa, o que você fez?
— Nada Ana, só usei meu poder de persuasão.
— Como?
— Boa tarde, dona Ana e dona Ysa, a mesa de vocês tá reservada logo ali, nossa assistente vai acompanha-las.
— Ok, obrigada.
— O envelope é pra você, bonitão.
— O que é?
— Presente.
— Obrigado.
— Não por isso.
— Ysa, o que você deu a ele?
— Uma luva de alta tecnologia que imita a pele, Ana.
— Por que você deu isso?
— Você nunca observou que a mão dele é queimada, e por isso um lado da manga do palitó é maior? Ele tem vergonha de mostrar a queimadura, Ana. Só quis amenizar o desconforto dele.
— Ysa, eu nunca reparei na mão dele, quando você notou?
— A segunda vez que viemos aqui. Acho que já tem 2 meses que frequentamos esse restaurante.
— Por que você só deu agora?
— Por que tive que encomendar fora do país, Ana. Leva tempo pra ser confeccionada. Tive que descobrir a medida da mão dele pra mandar as informações.
— E como conseguiu saber a medida da mão dele?
— Observando, Ana.
— Observando o que Ysa? Dizem que a medida da mão de um cara é a mesma que a do P....”
— Afff Ana, depois a pervertida sou eu. Só observei as mãos, já você pelo visto tava de olho em outra coisa. Ana, você não me engana. Pervertida!
— Kkkkkk, só tava brincando com você.
— Boa ideia você me deu. Ainda não sei a medida da mão do seu filho, vou observá-lo melhor.
— Parou a brincadeira.
— Ah, agora você quer parar? Pois eu bem nem comecei.
— Ysa, parou, não vamos falar do meu filho.
— Não aguenta brincar, Aninha, então não chama pro play.
— Me fala mais dessa luva, é feita de que?
— Pele.
— Pele humana? Eca, perdi o apetite.
— Não, né Ana, pele sintética, imitando a humana. Quando ele colocar a luva, ela vai aderir à pele dele como uma borracha muito fina, na verdade um látex, e vai cobrir toda a queimadura. Ninguém vai notar que a mão dele é queimada”.
— Nossa Ysa, que investimento você fez. Isso não deve ter sido barato.
— Não Ana, não foi, mas o que adianta ter dinheiro se não pudermos ajudar as pessoas?
— Ysa, você nem conhece o cara.
— Realmente, não conheço Ana, mas eu sempre venho aqui e ele sempre me dá o melhor atendimento, nunca me faltou com respeito, nunca fez piadinha, sempre foi
solícito e gentil, então por que não posso retribuir a gentileza dele? E que tipo de pessoa eu seria se tivesse visto e não fizesse nada para ajudá-lo?
— Ysa, como você consegue pensar nos outros com tanta demanda, tanto trabalho?
— Ana, eu só presto atenção às pessoas a minha volta. Se as pessoas fossem mais observadoras e menos reativas, o mundo seria completamente diferente. Essa é a minha missão: tornar o mundo melhor, nem que seja de uma única pessoa. Se o mundo for melhor pra alguém porque eu fiz a diferença em uma única vida, eu já me sinto feliz.
— Meu deus, Ysa, você me ensina tanto.
— Kkkkkkk , eu espero que ensine mesmo, porque você só pensa putaria, Ana. Me conta o que rolou com aquela sua fã louca de ontem?
— Nada Ysa, você é maldosa. Não sei porque você enfiou na cabeça que eu fico com as fãs, me respeita!
— Ana, eu sei que rolou algo e você não quer me dizer. Não é normal, Ana Carolina. Uma fila de fãs pra tirar foto, todas ficaram 4 segundos e essa que demorou 10 minutos trancada com você, você quer enganar quem? Pra cima de mim, Ana!
— Rapaz, você acha que 10 minutos da tempo de fazer algum a coisa?
— Claro que da Ana, em 10 minutos eu tenho 2 orgasmos.
— Ysa, ela só queria me mostrar o álbum que ela fez pra mim, juro!
— Ah tá, Ana, você não vai me convencer nunca que você ficou 10 minutos troncada com uma fã trocando figurinha. Vocês estavam foi trocando saliva, sua safada. Ana, sua cara de desconfiada tá até hoje em minha mente. Você ficou com aquela louca Ana, tenho certeza.
— Kkkkk.
— Por que você só faz rir?
— Porque ninguém consegue esconder nada de você. Fico me perguntando quando vou conseguir dar uma fugidinha longe de suas vistas.
— Você tá querendo dizer fudidinha, né?
— Ysa Flor ... Hoje você tá demais.
— Que tal falarmos do seu filho?
— Não.
— Por que não, Ana?
— Porque você só fala obscenidades dele.
— Mentira, Ana, não tenho culpa se ele desperta meu lado fogo.
— Então abaixe o fogo Ysa, ele é menino demais pra você.
— Eu não vejo isso, Ana.
— O que você vê?
— Vejo um homão da porra por trás daquela carinha inocente de menino.
— Você tá enxergando demais. Não vejo nada disso. Markus nem saiu das fraldas ainda.
— Coisa de mãe, né? Quer fazer o homem de criança. Deixa eu chegar perto dele que você vai ver a criança que vou despertar.
— Pervertida, dá pra parar de falar assim do meu filho?
— Ai Ana, gamei nele sabia, não que eu queira seu filho, mas assim, uma saidinha com ele me faria tão bem.
— Ele é virgem.
— Opa! Nunca tirei a virgindade de um homem antes. Tá aí, acho quevou gostar da experiência.
— Louca!
— Sai fora, Ana, de virgem ele não tem nem o signo. Tadinha de você, cai da cama e chora.
— Vocês nem se conheceram ainda e você tá com esse fogo todo, imagina quando se conhecerem?
— Eu vou colocar ele no jeito, Ana. Aquela timidez dele vai acabar em dois tempos.
— Meu Deus! Ainda bem que ele vai viajar.
— Ahhhh, que pena. Agora que ia pegar fogo... Ele vai pra onde, Ana?
— Ele vai formar uma banda com uns colegas aí e vai tocar fora. Assinaram contrato de 6 meses.
— Nossa, ele vai passar 6 meses fora?
— Vai.
— Será que se eu pedir ele me leva?
— Ai Ysa, você tá o cão hoje. Você gosta de me perturbar né?
— Adoro! Adoro ver você tremendo a perninha esquerda de nervoso.
— Kkkkkkkkkk, para palhaça! Lá vem o rapaz, acho que quer falar com você.
— Oi dona Ysa, com licença.
— Oi.
— Só queria agradecê-la pessoalmente. Vou trocar de turno agora e não queria sair sem falar obrigado.
— Imagina.
— Estou muito feliz, nunca ia poder pagar um negócio desse, olha, já coloquei.
— Que perfeito! Ficou ótimo!
— Como a senhora notou?
— Não me chame de senhora. Eu só sou um pouquinho mais observadora que as outras pessoas, nada demais.
— A sua atenção fez muita diferença na minha vida, como posso retribuir?
— Sendo o melhor que você pode ser pra você e para as pessoas.
— Obrigado mesmo, — falou ele estendendo a mão. Segurei a mão dele e disse:
— Você não sabe como me faz feliz ver você feliz.
— Estou em dívida com você.
—Você não me deve nada. Não fiz por algum tipo de troca. Fiz porque se estivesse no seu lugar gostaria que alguém fizesse o mesmo por mim. Então não ache que me deve nada.
— Obrigado.
— Chega homem, você já agradeceu.
— Bom almoço pra vocês. Dona Ana, licença. Ysa, licença.
— Nossa Ysa, você viu a felicidade dele? Os olhos dele estavam cheios de lágrimas.
— Eu vi, Ana.
— Você me comove profundamente.
— Menos quando falo do seu filho?
— Kkkk, Ysa, você sabe cortar um momento de emoção como ninguém.
— Sei e faço de propósito, não gosto de ver você emotiva, você fica chorando e me dá vontade de chorar também, um nojo!
— Ysa, aceite que você é de água. Quanto mais cedo você aceitar isso, melhor.
— Eu sou de fogo, e seu filho também.
— Kkkkk, para de falar do meu BB. Já deu Ysa, não aguento mais.
— Ahhh Ana, você não me conhece ainda . Descobri seu ponto fraco, já era pra você!
— Deus, me ilumina!
— Vamos?
— Pra onde?
— Pra consulta.
— Você vai comigo? Achei que ia voltar pro escritório, Ysa, o evento é depois de amanhã, sem você lá a equipe não anda.
— Eles não podem ser tão dependentes de mim Ana, hora de se virarem sozinhos.
— Mas Ysa, eu fico insegura em deixar um evento importante na mão deles.
— Ana, você precisa confiar na sua equipe. Como você mesma fala, não existe só eu lá. Eu vou ensinar sua equipe a trabalhar, vou treiná-los. Você vai ter a melhor equipe de todos os tempos. To passando as coordenadas, não se preocupe”.
— Se você diz pra eu não me preocupar, eu não me preocupo.
— Vamos!
— Você ainda não me contou o que fez para conseguir a consulta.
— Invadi a sala do dentista e falei: É o seguinte doutor, me desculpe a libertinagem em entrar, mas sua secretária não quis me anunciar.
Ele olhou pra mim e disse:
— Mas uma sereia como você não precisa ser anunciada.
— Então doutor, foi o que pensei.
— Como posso ajudá-la?
— Você me ajuda abrindo um horário pra nada mais, nada menos, que Ana Carolina Souza, a melhor cantora do Brasil.
— E o que ganho com isso?”
— Além do dinheiro, você ganha a nossa presença.
— Você vai acompanhá-la na consulta?
— Com certeza.
— Então, a minha agenda é dela. Amanhã as 14hs.
— Meu deus! Você sabe que ele vai querer algo a mais né?
— Querer ele pode até querer Ana, mas ter aí isso já é outra conversa.
— Quero ver como você vai se sair dessa.
- Eu vou fazer cara de paisagem, Ana, nunca nem vi.
- Você sendo atendida, o depois é só um detalhe.
- Você trata as coisas com tanta simplicidade.
- Mas as coisas são simples Ana, as pessoas que complicam tudo.
- Ysa, to passada, você é muito cara de pau.
- Você acha Ana? Por isso um monte de gay tá dando em cima de mim ultimamente.
— Kkkkkkkk, que piada sem graça, Ysa.
— E por que você tá rindo? Para de rir, Ana!
— Kkkkkkkkkk, não tô conseguindo.
— Ana, para agora, as pessoas tão olhando. Ana você me mata de vergonha.
— Eu tô imaginado agora um pau na sua cara, kkkkk.
— Ana, você é ridícula! Ana, tá todo mundo olhando. Ria baixo pelo menos.
— Eu não consigo. Ai Ysa, preciso ir ao banheiro.
— Meu deus, Ana, você vai mijar na roupa aqui. Ana, que vergonha, lá vem o garçom.
— Ela tá bem.
— Tá sim. Trás uma água com bastante gelo, por favor, é só fogo, já vai passar.
— Como?
— Eu disse que ela tem crises desse tipo.
— Ah ...
— Ysa, você me paga!
— Oxe, você me faz passar essa vergonha e a culpa ainda é minha?
— Ysa, minha calça tá molhada.
- Ai Ana, você já tá grande pra mijar na roupa.
— Ysa, to falando sério!
— A gente passa no shopping e compra outra calça. Meu deus, Ana, você se passa muito!
— Ysa, eu não vou mais sair com você.
— Olha, a água com gelo chegou.
— Obrigada.
— Por nada!
— Bebe a água e vamos, não podemos nos atrasar para sua consulta.

Cheguei no escritório, e o moreninho já estava cantando.
— Assim não aguento. Que voizinha excitante, pai, deu até calor. Aiii, o que esse menino tem que mexe tanto comigo?
— Dona Ysa,
— Entra.
— Preciso que dê uma olhada no novo clipe de Ana para fazer os ajustes finais.
— Os ajustes deviam ter sido feitos ontem à noite. Como você acha que vou entrar em reunião pra mostrar um vídeo sem acabamento? Eu não entrego qualquer porcaria. Se era só isso, pode sair, não precisa me mostrar nada, já vi o clipe e os ajustes eu fiz ontem à noite quando cheguei em casa. Quando eu quero algo perfeito, eu mesma faço. Vocês acham que eu não sei cada passo que vocês dão nessa empresa? Parecem umas tartarugas o dia todo se arrastando, .da preguiça olhar pra cara de vocês três.”
— - Mas dona Ysa, eu já ia fazer.
— Ia, mas não fez, esse é o problema. Uma empresa não vive de boas intenções, eu gosto de atitude. Jamais vou deixar Ana prejudicada por causa de vocês.. Aprendi com a vida que confiança a gente não dá de graça, a gente conquista e vocês ainda não conquistaram a minha . Então me desculpe se eu tomei a iniciativa de fazer seu trabalho, porque você não o fez. Pode sair.”
Ele bateu à porta ao sair. “Será que ficou bravinho porque falei a verdade?” Sentei, liguei o not, e tinha um e-mail anônimo.
“Que será isso? Vírus? Abri e estava escrito assim:
Para a morena mais linda da face da terra. Seus cabelos negros, ondulados me lembram o céu à noite, escuro e misterioso, até encontrar o teu sorriso que é como o sol iluminando o meu dia... Eu não sei seu nome, poderia me dizer? Pode retornar a este e-mail. Eu sei que quase ninguém hoje em dia usa e-mail, mas quero muito saber mais sobre você, mina. Ass. Seu J
“Nossa, que profundo. Tenho outro admirador secreto, ou será ainda o carinha do financeiro? Não, ele não fala dessa forma. Ele não usa gíria, ele é todo formal, engomadinho. Hum, ele também não escreveria um e-mail.” O telefone tocou.
— Senhora Ysa.
— Oi.
— A reunião vai começar. Bruno pediu pra te avisar que é contrato de show, eles vão precisar da agenda da dona Ana.
— Ok, já tô descendo.
Após a reunião, voltei para pegar a bolsa na minha sala e encontrei no chão da porta uma rosa vermelha e um bilhete, escrito:
“Vim te visitar, você não estava, então deixei algo pra lembrar de mim. Para a morena mais linda do universo. Seu, todo seu, J.”
Entrei e pensei: “Quem deixaria um rosa e um bilhete em minha porta? Será? Com certeza eu ia descobrir. Que fofo!”
Coloquei a rosa na água e sentei, olhando pra ela, quando um dedilhado no violão começou a tocar.
“Nossa, com certeza era o moreninho outra vez, ele me tirando de mim. Eu vou é levantar antes que não consiga comparecer à reunião.”
Respirei fundo, abri a porta e fui pra sala de reunião. Conversei com os empresários e os sócios e fiz o planejamento semestral pra eles. Saindo da sala de reunião, avisto o moreninho subindo as escadas. Ele parou, olhou pra mim e sorriu tímido. Eu olhei pra ele e pensei :” Que ousadia desse garoto sorri pra mim, assim.”
Voltei pra minha sala, e quando volto, mais presente. Era a letra de uma musica, e dizia:
“Está inacabada, porque só posso compor o restante quando te conhecer melhor.”
Mas ele, em vez da letra, colocou somente as cifras. Eu achei a coisa mais perfeita do mundo. Cheguei a pensar que até poderia ser um dos meninos, mas quem fez aquilo era inteligente demais, será que estava subestimando eles? Que curiosidade! Eu ia descobrir hoje mesmo se tivesse tempo. Penso que não tenho... vou correr, tenho treino e mudança de faixa na academia, fica pra amanhã.
Saí da minha sala e corri pra academia.
— Oi, Ysa.
— Oi, professor.
— Vestida assim nem parece a durona das minhas aulas.
— É, talvez quando entre lá não seja a mesma pessoa.
Ele riu.
— Menina, menina, não mexe com meu psicológico, fico imaginado que se uma já causa tanto estrago, imagina duas.
— Duas, professor? Achei que sua imaginação poderia ir além. Sou 17.
— Nossa, Ysa, você tá demais hoje!
— Não confunda o verbo to be, professor, eu não estou, eu sou. Vou lá trocar de roupa e já volto.
— Ok, Ysa.
Minha apresentação foi um sucesso, e agora eu era faixa preta. Três anos de muita dedicação, eu estava feliz. Meu celular tocou, era Ana me dando os parabéns. Meu professor tinha postado uma foto minha lutando com outro faixa preta, e eu estava dando uma surra nele, o vídeo estava viralizando nas redes sociais.
— Ysa, que orgulho, parabéns!
— Obrigada, Aninha!
— E essa surra nesse cara?
— É uma surra com muito respeito, Ana, ele não se machucou.
— Duvido. Aquela acerto que você deu, acho que ele desmaiou.
— Nada, ele é forte, tava só meditando antes de levantar.
— Você é ótima, Ysa. Já tá vindo?
— Sim, Aninha.
— Te espero pro café.
— Ok.
— Beijos.
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Serendipity 11:11 - O Portal do Amor - Ysa Flor
E você, consegue imaginar como o cara do restaurante se sentiu?

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