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Cap. 13 - Casa Nova


— Nossa, Ysa, você vai embora mesmo? A ficha só caiu agora que tô vendo essas caixas arrumadas.

—Vou sim, Aninha. Tanto tempo morandorando com você, tá na hora né?

— Eu tava adorando você aqui comigo.

— Eu também., mas não faz drama, não precisa de despedida. Vou morar pertinho de você e vamos nos ver todos os dia, não muda nada.

—Tá. Você já contratou alguém pra fazer a limpeza?

— Sim, Ana, tá bem limpinha, e eu vou lá hoje cedinho energizar ela antes de mudar.

— Eu quero te dar um presente pra sua casa nova.

— Lá vem você ...

— Nada demais, é só uma mandala pra você colocar na varanda. Aqui.

— Que linda, Ana. Vou colocar assim que chegar lá. Amei...

— Posso ir com você? Quero ser a primeira a entrar sua casa.

— Claro Aninha, vamos lá.

— Ah, espera, tenho uma vela aqui, você vai adorar, vamos levar pra acender lá.

— Ebaaaaaa, adoro velas.... Preciso comprar incensos, Ana, os meus acabaram.

— Faz assim, vamos ao shopping, compramos o que precisamos e de lá vamos à sua casa.

— Perfeito Ana, vou pegar minha bolsa.

— Ysa, você comprou lençóis?

— Comprei Ana. Só não comprei toalhas ainda.

— Vamos comprar toalhas na mesma loja que eu compro, e os roupões que você gosta também.

— Sim, vamos. E o que esse negão quer atrás da gente?

— Não lembra dele, Ysa?

— Eu não.

— É aquele que tava na festa sexta com a gente.

— Mentira!!!! Aquela bixona maravilhosa?

— Ela mesmo.

— Menina, vestido de homem até parece alfa.

— Fala baixo, Ysa. Contratei ele como segurança.

— E o Hélio?

— Tá de férias.

— Ah tá, e ele vai ficar seguindo a gente?

— Ysa, ele é pago pra seguir a gente, ele é segurança.

— Então tá, né. Posso testá-lo?

— Só tava esperando você perguntar isso, adoro!

— Você gosta das minhas loucuras, né Ana?

— Não vivo mais sem emoção.

— Ok.

— Só pega leve, Ysa, ele não é o delegado que aguenta suas brincadeiras.

— Ai, falando no delegado, cadê ele? Mau, Mau, que saudade. Ana, que gatão!

— Ysa, Ysa, ele é o delegado.

— Adoro homens com autoridade, será que se eu roubar alguma coisa no shopping ele me prende?

— Ysa, pelo amor de Deus, eu não aguento brincadeira pesada desse tipo.

— To só brincando, Aninha, eu hein! Ele é gato né?

— Não vi nada demais.

— Eu vi um peitoral irresistível, uns braços, umas pernas e um cassetete, AVE MARIA!

— Ysa Flor!

— Tava falando do cassetete que ele carrega perto das algemas, Ana, afff você já pensou besteira né?

— Sei, eu te conheço Ysa, você não dá ponto sem nó. Como diz minha mãe: você dá nó em pingo d’água.

— Kkkkkk, e falando em sua mãe, quando vou conhecer ela?

— Vou te levar pra conhecer minha mãe qualquer dia, vocês vão se adorar.

— Até que fim, Ana! Não vejo a hora, pelo que você fala ela parece ser divertida.

— É sim, você vai ficar surpresa, nem parece que é minha mãe.

— Já adoro ela!.... Ai, Ana, olha essa vitrine linda!!!!!! Vamos entrar.

— Meu Deus Ysa, lá vem você ...Não gosto de ficar entrando em loja quero ir direto no ponto, comprar e deu...

— Ai Ana, eu quero olhar todas as vitrines.

— Ai,não tenho saco!

—Aninha, cadê a diversão?

— Ysa, você é sempre alegre desse jeito?

Você parece de mentira.

— Mas eu sou de verdade, de carne e osso,

mais carne que osso, claro.

— Só você, viu, pra me fazer ver vitrine de shopping. Daqui a pouco as pessoas começam a me reconhecer e eu tô ferrada.

— Você não gosta de ser reconhecida, né Ana?

— Odeio.

— Pra que ser famosa se não aproveita a fama? Deus deu ousadia a pessoa errada, porque eu no seu lugar não ia sair dos holofotes um segundo.

— Jesus, ainda bem que Deus não dá asa a cobra.

— Não se preocupa Ana, comigo do lado ninguém mexe com você.

— E se for os fãs, o que vai fazer?

— Me juntar a eles e pedir seu autógrafo.

— Ahhh, ajudou muito!

— Vem, vamos entrar nessa aqui.

— Ai, chega Ysa, vamos comprar suas toalhas.

— Só essa, prometo.

— Ysa, você tá de folga essa semana, ok?

— Por que, Ana?

— Quero que organize sua casa, arrume as coisas sem preocupações, sei como mudança é estressante.

— Não precisa Ana, dou conta, no final de semana eu arrumo tudo.

— Ysa, é uma ordem!

— Ok, patroa, vou aceitar.

Ótimo!

— Enfim, chegamos nas toalhas. Que cor você quer, Ysa?

— Todas brancas.

— Me dê 7 toalhas brancas por favor, e 7 roupões brancos também. Ysa, você precisa de toalhas de pé também?

— Sim, Ana.

— 7 toalhas de pé também, por favor.

— E eu quero estas pantufas. Ai, que delicia, tô me sentindo nas nuvens. Ana, eu não conhecia essa loja, é maravilhosa. As suas toalhas são as melhores que já vi no mundo inteiro, e olhe que a gente viaja tanto, nunca tinha visto toalhas tão macias.

— As pantufas, quer quantas?

— Duas, por favor. Uma rosa e uma branca. Ah, quero essa do unicórnio também.

— Ah, Ysa, você é tão gay !

— Kkkkkkk, você é a primeira pessoa que me diz isso.

— Se você fosse homem, você ia ser uma baitolaaa.

— Kkkkkk, adoro!!! Eu ia adorar pegar um tanto de homem gostoso, Ave Maria!!!

— Deus o livre, quem aguenta você, Ysa Flor? Travesseiros, lençóis?

— Não Ana, já tenho tudo.

— Pode passar.

— Espera Ana, eu pago!

— Nada disso, é capaz! Eu vou pagar, presente de casa nova!

— Ana, se toda vez que você sair comigo você quiser pagar tudo não vou sair mais com você!

— Ysa, é presente, só aceite. Não recuso seus presentes.

— Eu não compro o mundo inteiro pra você, Ana.

— Claro que não compra, porque já é dona dele”.

— Engraçadinha!

— Eu tenho um cartão sem limite, então eu pago.

— Rica, e ainda é metida. Tudo bem Ana, me recolho à minha insignificância perto do seu cartão sem limite.

— Vamos?

— Agora eu quero comer, a gente nem se divertiu ainda.

— Por que você não falou antes de fazer compras? Agora vamos ficar na praça de alimentação feito duas loucas cheias de sacolas!?

— O segurança tá aí pra que, Ana Carolina, só pra seguir a gente e não fazer nada?

— Ele não é pago pra carregar sacola, Ysa.

— Isso porque você não pediu com jeitinho... Oi, tudo bem?

— Oi, D.Ysa.

— Você me conhece?

— Sim.

— De onde?

— Seu nome é o mais comentado no restaurante que trabalhei.

— Por que seria?

— Porque você deu um presente de 200 mil reais a um funcionário, e ele lhe venera.

— Ah, tá, só por isso? Achei que eu tinha feitos maiores.

— Mas é abusada, né Mauro? Liga não, essa é a Ysa Flor.

— Mauro, a gente não liga se você der uma ajudinha carregando a sacolas.

— Você é ótima, Ysa.

— Desculpe não ter me oferecido antes.

— Tá vendo, Ana? Ele nem liga de carregar as sacolas, gostei dele. Odeio homem cheio de frescura.

— Kkkkkkk, coitado, Ysa.

— Você quer carregar?

— Eu mesmo não, to fora!

— Então não reclama, vamos tomar um café.

— Ysa, a torta de limão daqui perdeu minha admiração depois que provei a sua.

—Não seja por isso, eu trouxe a sua aqui na bolsa, adaptada, é claro. Sabia que você ia querer dar um jeito de comer doce sem poder.

— Não acredito que eu vou passar essa vegonha de comer marmita no shopping.

— Ok. Ai Ana, deixa de ser fresca, vamos adorar. Vamos pedir um café e vamos nos deliciar nessa torta. Eu juro que ficou incrível. Você vai adorar.

— Ysa, você está me tratando como uma idosa se 100 anos. Você ainda vai me agradecer por isso, Anan Carolina. Só estou cuidando de você.

— Não é pra tanto, a minha glicemia tá super controlada hoje, eu medí.

— Eu não quero a sua glicemia controlada, Ana Carolina, quero você curada.

— E como a enhorita pretende fazer isso?

— Senta e me assiste. Se você obedecer, no final dá tudo certo.

— Alguem já te falou que você é muito controladora?

— E alguém já te falou que você emuito teimosa?

— Defeito de família.

— Ysa, vamos ficar aqui.Olha só esse cardápio. Tá uase perfeito. Quero só um doce eo e um café.

— Seu doce está comigo e ocafé você pode pedir.

— Ainda não acredito que estou passando essa vergonha. Amanhã vou estar e toda as capas tirando uma marmitinha da bolsa, vão pensar que eu to falida.

— E o que você tem com isso?

— Tenho uma reputação a zelar.

— Ana Carolina, você tem que entender que quem faz uma música dizendo que alguém chupou seu pau não tem mais nenhuma reputação a zelar.

— KKKKK, você leva as coisas muito ao pé da letra, Ysa Flor.

Sentamos em uma esa mais reservada. Peguei o cardápio e disse:

— Eu quero café, torta e pão de queijo.

— Não sei como consegue esse corpão dos sonhos comendo tanto.

— Eu malho, luto, danço e como diz você, trabalho por 17...

— Isso é verdade.

— Ligação do escritório, tava demorando. Acabou nossa paz.

— Alô... Se a Ysa tivesse aí ela não ia me ligar pra perguntar onde está um arquivo. Procure na subpasta.

— O que foi Ana?

— Acredita que sem você lá eles não sabem procurar um arquivo?

— Ai Ana, seus funcionários vão me odiar se você, a cada erro, ficar me comparando.

— São uns incompetentes, Ysa. Mas sabe o que eu acho?

— O que?

— Acho que até seus inimigos cansam de ser inimigos e se rendem a você.

— Adorei essa, vou até anotar, kkkkk, agora vamos!

— Vamos!

— Temos que marcar de vir ao cinema.

— Eu tenho cinema em casa, Ysa.

— Ah, tá, esqueci como você é rica. Ana eu sei que tem, mas eu gosto de sair, gosto de ver pessoas. Preciso ver movimento, entende? Assim me sinto bem presa, desculpe, o seu cinema é top, mas sair é melhor.

— Não brinca, por que você prefere essa muvuca? Eu prefiro ficar em casa em paz a pegar essa fila.

— Se eu quiser paz eu vou pra igreja, Ana, eu gosto é do estrago.

— Oh, menina louca! Vamos que tô doida pra conhecer sua casa.

— Vamos!

— Obrigada, garanhão, pode devolver as sacolas.

— Não, eu levo pro carro.

— Tá vendo Ana, que cavalheiro?

— To vendo que você praticamente obrigou o rapaz”.

— Eu?

Saímos do shopping. Entramos no carro, eu peguei o pen drive e disse:

— Eu hein, silêncio de morto, coloca uma música aí.

— Ai não, sua seleção é horrível, combinamos tudo, menos no gosto musical.

— Ana, você tem que aprender a ser eclética como eu, uma música para cada momento.

— Vou colocar porque dou mais risada do que ouço alguma coisa.

Fomos o caminho todo rindo, eu trocando a letra das músicas e fazendo piada com as músicas dela.

— Chegamos, Aninha, bem vinda sempre.

Abri a porta e Ana entrou, pasma.

— Meu deus!!!! Ysa, sua malandra, você já decorou praticamente tudo.”

— Eu falei que não precisava de folga, mas já que insistiu”.

— O que é isso aqui?”

— Você Ana , não tá se reconhecendo não?

— Meu deus, Ysa, como você fez isso?

— Duvidando dos meus talentos de artesã, Ana?

Ela começou a chorar.

— Ah não Ana, aqui não.

— Ysa tá muito, lindo! Você faz um pra mim?

—Já fiz! Ana, você acha que não ia fazer um pra você? Fiz um igualzinho.

— Por que não levou?

— Porque queria ver sua reação primeiro, queria saber se ia gostar.

— Gostar? Eu amei.

— Que bom Ana, vem, aqui está o seu. Pronto!

— Ysa, você é a melhor artesã do mundo.

— Não exagera, quer café?

— Aqui já tem café?

— Claro, foi o primeiro cantinho que fiz, aprendi com você.

— Nossa, Ysa, você é muito caprichosa, tá ficando tudo muito lindo! E essas estátuas, bem filosóficas, sua cara.

— Também tenho chá Ana, o que você prefere?

— Ah, então quero. Tem chá de menta com hortelã e morango?

— Sim.

— Hum, esse é bom.

— Comprei na cidade vizinha quando fui na conferência da faculdade.

— Perfeito!

— Vem cá olhar meu quarto. Tem mais fotos nossas lá.

— Jura? Nossa, que lindas, não tenho essas, manda pra mim?

— Mando sim.

— Que bom, Ysa, adorei seu ap, bem iluminado e pertinho de mim”.

— Sim, vou deixar ele minha cara.

— Ysa, já vou, as 21 hs o Jorge vai lá pra gente gravar uma música. Suas coisas estão chegando né?

— Sim.

— Se precisar de qualquer coisa me liga.

— Pode deixar, Aninha.

— Não quero ver você na empresa essa semana.

— Ok.

— Beijos.

— Vou te levar na garagem.

— Ninguém nunca me acompanhou até a garagem, só você faz isso.

— É bom que aí me torno única em sua vida.

— Mas você já é.

— Melhor que eu seja.

Dei um abraço nela e subi. Era bom ter um cantinho só meu de novo. Celular tocou.

— Alô.

— Oi amiga.

— Oi Gleycis.

— Como você tá?

— Bem, e você?

— Tô ótima. Você não veio a aula hoje, senti saudade.

— Te avisei que não ia, né? Tô de mudança, uma correria.

— Precisamos repor a aula de hoje.

— Sim, v amos sim, só deixa eu assentar as coisas, me mudei hoje.

— Por que não me chamou pra te ajudar

— Não tem muito o que fazer, já estão entregando as coisas, só preciso colocar as miudezas no lugar e decorar.

— Deixa eu te ajudar.

— Claro!

— Me dá teu endereço, assim que acabar a minha aula passo aí.”

— Ok.

— Minha aula acaba em 40 minutos.

— Ok, te espero então.

— Beijo.

— Outro.

Enquanto organizava o quarto, Gleycis ligou.

— Amiga, tô aqui em baixo.

— Nossa, nem vi o tempo passar. Sobe!

Ela entrou maravilhada com a foto de Ana.

— Que lindo este quadro.

— É, a Ana também adorou, eu que fiz.

— Jura, você faz arte?

— Às vezes.

— Nossa, você é boa.

— Obrigada.

— Em que você não é boa, né?

— E você acha que vou te contar pra você usar isso contra mim? De jeito nenhum, falei rindo .

— Você é ótima. Mas eu ainda não sei uma coisa que não seja boa.

— Ainda bem.

— É sério, me conta.

— Bem, eu não faço nada se eu não for boa o suficiente, então provavelmente você nunca vai descobrir, porque eu só faço o que eu gosto, o que eu amo porque me sintonizo fazendo, entende? Se todo mundo fizesse dessa forma acho que existiriam mais pessoas felizes e satisfeitas. Por exemplo, se você não gosta de ser dona de casa é simples, não seja. Se não gosta de ser advogada é simples, não exerça. Agora o que mais vejo no mundo é um monte de profissional mal amado em uma carreira focada no padrão ou no dinheiro. Por isso, as pessoas geralmente não são boas no que fazem, porque elas não escutam sua essência. Você, por exemplo, acho que você seguiu o seu dom, porque não consigo ver você fazendo outra coisa que não seja ensinar. Quero que seja a professora dos meus filhos.

— Nossa Ysa, nunca tinha refletido sobre isso, você tem razão. Ai, não me vejo fazendo mesmo outra coisa.

— Mas o que dizer de você que tem várias aptidões?

— Ah, sei lá, acho que não vim aqui fazer uma coisa só, gosto de várias coisas.

— Seu apartamento é lindo”, meigo igual você!

— Não sei porque as pessoas acham que sou meiga.

— Porque você é.

— Então tá, né?

— Você é a pessoa mais fofa que conheço.

— Assim você me deixa sem graça, Gleycis.

— Mas você é.

— Se Você diz ...

— Achei uma foto nossa lá dentro.

— Jura?

— Sim, no dia do seu aniversário lá no curso.

— Que legal!

— Olha sua cara de surpresa!

— Foi surpresa mesmo, não esperava uma festa. Nenhum aluno nunca fez uma festa surpresa pra mim, você foi a primeira.

— Que alunos ingratos esses seus, Rs.... Brincadeira.

— O que posso fazer?

— Continua separando as caixas como tô fazendo, que eu vou tirando e colocando no lugar.

— Ok. Vamos tomar um café mais tarde?

— Você é a louca do café, né Gleycis?

— Eu gosto.

— Nunca vi ninguém tomar tanto café como você.

— Eu adoro café.

— Percebi. Aqui tem café, você quer?

— Se não for te dar trabalho.

— Nenhum, imagina! Vou pegar uma xícara. Fiz um bolinho também. Como você quer o café?

— Puro.

— Ok.

— Nossa, que delicia! Isso não é um bolo, Ysa, é uma torta. Eu estava esperando uma coisinha simples, e você vem com uma torta de limão, é minha preferida!

— Que bom, Gleycis, então eu acertei em cheio!

— Acertou, mas mesmo assim, ainda quero ir a cafeteria com você mais tarde.

— Ok, mulher, nós vamos! Vou aproveitar que amanhã tô de folga e coloco mais coisas em dia.

— Por que tá de folga?

— Porque Ana quis me dá folga. Também essa semana é meio parada, não tem muito o que fazer na empresa, deixei tudo em dia.

— Que mulher competente!

— Pra trabalhar com Ana Carolina tem que ser.

— Foi Ana que te indicou lá pro curso, né?

— Foi sim.

— Como ela ficou sabendo?

— Ela fez curso lá ha um tempo atrás, acho que você não trabalhava lá ainda, mas ela conhece vários alunos seus que te colocam no pedestal. O boato é que você é a melhor professora de lá.

— Nossa, não sabia que tava tão famosa assim.

— Pois está, você é muito profissional Gleycis, gosto do seu método de ensino.

— Quem bom, fico feliz em receber um elogio seu.

— Não encare como elogio, encare como verdade, certo?”

— Certo.

-— Mas eu fico curiosa em saber porque você foi fazer aula de canto se você não canta.

— Não canto, mais componho, e Ana acha que eu me desenvolveria melhor entendendo de partitura, porque as vezes eu componho, e como não entendo sobre partitura, não entendo o que ela quer me comunicar, e a gente sempre briga. Aí não consigo cantar pra ela, e ela é perfeccionista pra caralho e quer que eu cante com a nota certa, olha, é uma confusão. Ela só falta arrancar meus cabelos quando a melodia que ela faz não casa. Eu quero ajudar. Ela vai gravar 5 músicas minha no novo DVD.

— Jura?

— Sim, tô muito feliz. Eu sempre fui fã dela, imagina que honra?

— Imagino.

— Então preciso me familiarizar mais.

— Entendi. Eu canto. Você podia compor algo pra mim.

— Certo, vou pensar nisso. Não me fazendo cantar, tá tudo certo.

— Nossa!

— O que foi?

— Você me surpreendeu mais uma vez. Além de tudo o que faz, ainda é compositora! Por que não me falou nada?

— Pra não ser exibida. Ana diz que sou muito exibida, tô tentando melhorar.

— Kkkkkkk, boba.

— Gleycis, na verdade eu cantava. Mas aconteceu um imprevisto em minha vida, e dai perdi a minha voz original, e ganhei essa de pato.

— Não fala assim, sua voz é linda, é meiga.

— Se você acha tão bonita, troca comigo.

— Trocaria.

— Não fala isso, vai que acontece. Você tá ferrada, kkkkkkkk.

— Me conta o que aconteceu.

— Você não vai acreditar, por que quer que eu conte?

— Gostaria de saber.

— Quando eu tinha 7 anos fiz uma viagem astral.

— O que é isso?

— É uma viagem fora do corpo. Xuxa e o nono anjo me levaram ao 3º céu, o mais alto que eu pude ir!

— Que Xuxa ? Você ta falando de Xuxa da TV?

— Sim.

— Por que ela faria isso?

— Porque ela é um anjo.

— Como assim, anjo?

— Anjo , anjo.

— Anjo de asas? Anjo do céu?

— Ô Gleycis, tá vendo porque eu não queria te falar nada? Você não acredita.

— Não é isso, é que é muito louco. Mas isso foi sonho ou realidade?”

— Gleycis, o que define sonho de realidade pra você? Já passou pela sua cabeça que esse momento que a gente tá vivendo aqui agora pode ser só um sonho?

— Credo Ysa, tô toda arrepiada, você faz cada pergunta. Agora tô com medo de tá sonhando sem saber.

— Medo por que?

— Sei lá .... Será que você é real?

— Pronto, ficou louca agora, kkkkkkk.

— Não ri não, você me deixou sem chão.

— Quer ver seu chão voltar?

— Quero.

— Então responde: Você está consciente agora?

— Claro que tô.

— Então isso aqui é realidade. Sua consciência sempre vai estar onde estiver a sua realidade.

— Aii, agora relaxei. Nossa, como você faz isso? Quase me matou de susto. Mas conta vai, quero saber o que aconteceu com sua voz.

— Eu, muito queixuda, cheguei no céu revoltada: como assim eu sabia compor e não podia cantar?” Eu queria compor e cantar também . Aí um anjo veio e me disse: “mas você não pode fazer as duas coisas, têm que escolher só uma”. E eu não me conformava. Aí um outro anjo chegou e disse a Xuxa que o pai queria me ver, e ia me levar. Um outro tipo de anjo apareceu e falou, de costa pra mim: “ filha, o que passa? “ E eu falei: “— É Deus que me deu inteligência mas não quer me dá uma voz bonita pra cantar.”

- Mas suas composições são tão lindas!

- Mas eu também quero cantar.

- E o que você quer mais? Peça de vez.

- Eu quero compor, cantar , dançar , escrever ser atriz, modelo capa de revista e brilhar muito como uma estrela”.

O anjo do lado sorriu:

- É pai, essa aí vai te dar trabalho, olha a música que ela fez aos 7 anos de idade: “lua de cristal, que me faz sonhar, faz de mim estrela que eu já sei brilhar "...

— Isso não me parece compatível para uma criança. Ela é a filha de uma anja com um deus, portanto é a Deusa humana mais inteligente que já criei, então ela pode brilhar como uma estrela. Mas o que você não pode, mocinha, é ter todos os talentos só pra você, por isso eu quero que você, como deusa, reflita e faça uma oração à deusa mãe de todas as deusas. Daqui a 11 minutos eu volto e quero o ofício escrito.

— Ok papai.

— kkkkkkkkkk, Ysa, você era muito engraçada. E aí, o que aconteceu?

Meu pai voltou em 11 minutos.

— Voltei, já fez a prece?”

— Já sim pai, em 5 minutos e meio.

— Hum... já sabia da sua competência. Recite para mim ......

”Ave, Rainha das Fadas!

Tu que colocas mais frescor nas manhãs,

Sedução nas tardes, mistérios nas noites e doçura nas madrugadas, Derrama um pouco de tudo isso sobre mim para que eu possa encantar, Seduzir, alegrar, apaixonar, ser e fazer feliz.

Ó, Fada Rainha! Ouve a prece minha.

Rainha da Alvorada, Musa dos Namorados, dos Poetas, dos Magos, dos

Cantores, dos Escritores, Enche minha alma de sonhos, de música, de poesia, e cobre meu corpo de encantos, de carícias e de flores,

Porque assim poderei dar todas as delícias e receber todos os amores!

Senhora de todas as Primaveras, das mais lindas quimeras, de todas as Eras!

Dá-me todos os alimentos e todos os encantamentos de Afrodite, Seus licores, seus perfumes, seus sabores, para que eu seja cada vez mais suave, mais ardente, mágica, atraente… Uma Lua Ensolarada, Enluarada ,uma Deusa Concreta, Completa!

Para que eu seja uma Perfeita Fada, ame sempre e sempre seja amada.

Ave! Ave! Ave Rainha das Flores, dos Amores, das Alvoradas… Ave, Rainha das Fadas! Todos os sons, todas as luzes, todos os Dons para mim”.


— kkkkkkkk, ela pegou pesado, Deus.” Disse um anjo.

— Fique quieto seu anjo, você tem asas, eu não. Por que pediu asas e eu não posso pedir voz?

— Ysa, filha, por que você quer tanta coisa só pra você ?

— Porque se eu tiver pra mim eu posso dar aos outros também, e assim dividir e contribuir com a humanidade, não me fez para ser luz, pai? Eu vou iluminar muitas vidas.

— Você não acha que é pequena demais para pedir tanto?

— Não, pai, sou pequena por fora, mas imensa por dentro. Acho que por isso mereço pedir mais do que quem pensa pequeno.

— Ysa, muitas pessoas brigam por dons e você já tem demais. Você domina a inteligência, o que não é normal para uma criança da sua idade, e você tem habilidades que você vai desenvolver quando crescer. Faz o seguinte: quando você for adulta e se lembrar desse sonho, é porque você já vai estar preparada para receber o que me pediu. Eu não posso dar tantos dons a uma criança. Quando for adulta você vai fazer uma viagem com a deusa SARASVATI e fabricar com ela 3 vozes com os tons que você preferir, e dentre as 3 vozes você vai escolher apenas uma delas pra ser sua . Se você conseguir escolher só uma, ela será sua e você será cantora.

— Só isso?

— Sem se exibir, sem aparecer em público e sem causar problemas para os humanos.

— Ok papai, obrigada, moleza! Vou ser cantora, que felicidade!

— Ysa... Mas se você falhar você vai ter o efeito contrário. Estou te dando o poder de escolher a sua própria voz.

— Ok, papai.

— Satisfeita?

— Sim.

— Pode voltar.

Mas posso ver seu rosto só um pouquinho?

— Não me vê?

— Não esse de anjo. Falo o verdadeiro.

— Ninguém nunca, jamais, nem anjos, nem deuses, nem humanos, nem demônios, absolutamente ninguém, criação ou criatura, poderá um dia ver a minha face.

— Por que, pai?

— Por que quer me ver?

— Pra ver se é bonito.

— Ysa, o que é bonito pra você? Não se corrompa pela superfície. As vezes ela te engana, olhe sempre o interior . Você não pode me ver porque estou dentro de você. Se você me sente, você me vê.

— Com os olhos do coração, né papai? Já Entendi. Tchau papai. Me deixe vir mais vezes.

— Mas você disse que aqui é chato.

— É sim, mas gosto de passar o tempo com o Nono anjo e com Xu.

— Eles vão pra uma missão na terra, Ysa, e ficarão muitos anos lá, assim como você. Vocês ainda vão se ver muito, não precisa vir aqui pra isso.

— Ok papai. E quando tiver saudades de falar com o senhor? Já sei, não precisa falar, o Senhor sempre fala que me ouve de onde estiver, né?

— Sim Ysa, qualquer parte do mundo. Mas não adianta me chamar depois que fizer besteira. Você é responsável pelos seus atos.”

— Ok papai, entendi tudo. Até qualquer dia. Eu amo você.

— Eu amo você, filha.

— E depois, o que aconteceu?

— Ah, depois eu não lembro de mais nada. Só sei que ainda não sou nenhuma cantora, deve ter sido só um sonho mesmo. Deixa pra lá ... Olha, quando você quiser ir fique a vontade, tá? Isso aqui, pelo visto, vai levar a noite toda.

— Tranquilo, vou ficar até as 22. Mas antes vamos no café.

— Ok, vamos descer.

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2018, by Ysa Flor

 ©direitos autorias reservados

 

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