top of page

Cap. 15 - Apaixonada...

Atualizado: 26 de jan. de 2023


— Ana, preciso falar com você senão vou ter uma convulsão.

— O que houve menina?

— Ana, eu to envolvidona com Gleycis, acho que nunca gostei tanto de alguém nesses 20 anos de existência.

— Tá mesmo apaixonada, hein?

— Eu to delirando.

— Em 1 ano que te conheço nunca te vi gamar em ninguém.

— Pois é Ana, gamei.

— O que tá faltando pra namorarem? Ela não já te deu provas suficientes? Não passou na sua análise de perita e investigadora.

— Ai Ana, com ela não funciona. É como na série LUCIFER, Os poderes dele não funciona com a policial porque ele está envolvido emocionalmente com ela.

— Como assim?

— Ana, quando você está envolvido demais, a situação é difícil. Perto dela minha pressão baixa, fico nervosa, sinto frio na barriga, meu coração dispara, e quando o ela me toca meu corpo queima. Ana, pelo amor de deus! São sensações demais para conseguir me concentrar. Que sentimento louco! Eu sinto de verdade que minha vida tá em risco por não conseguir analisá-la. Ela me provoca sentimentos demais, eu perco o chão. Ela me deixa tonta. Eu não quero me concentrar em mais nada que não seja naquele sorriso. Ana, que sorriso!

— Credo, ela te pegou de jeito! O que nenhum homem conseguiu a Gleycis conseguiu, é isso mesmo? Ysa, como eu to feliz por você. Que você seja muito feliz nesse romance. Muito amor, você merece tudo de melhor nessa vida. Meus votos são de felicidade. Aceita logo esse pedido.

— Calma Ana, não é assim. Tenho que pensar no que to fazendo da minha vida. Mas, sabe quando você só consegue pensar em um sorriso e não consegue ver nem a previsão para o depois?

— Eu não sei de nada. Eu só sei que você tá muito apaixonada. O sexo vai ser... se prepara.

— Ai Ana, nem tava pensando nisso, mas agora que você falou não consigo mais parar. Ana, como é? Me ajuda, Ana, nunca transei com mulher, não vou saber o que fazer.

— Ah, vai sim, disso tenho certeza. Não tem muita coisa de diferente, você tem que deixar fluir, relaxar. Ysa, você só precisa deixar rolar.

— Ana, mas tipo, não vai ficar aquela sensação de que tá faltando alguma coisa?

— Você tá se referindo a salchicha?

— Tô.

— Kkkkkk, pode deixar não vai faltar nada, e depois vocês podem usar uns brinquedinhos, mas não na primeira transa, Ysa, relaxa, só faça o que você tiver vontade e o que o momento pedir, mas sabendo que é um caminho sem volta. Depois não diga que não lhe avisei.

— Como assim, Ana? Ana, pelo amor de Deus! O que você tá querendo dizer? Por acaso é que eu vou virar lésbica?

— Ysa, depois de provar, é impossível resistir. Duas mulheres na cama é loucura!

— Como assim, Ana? Explica direito.

— Já, já você vai entender ....Você vai querer, mas não vai se contentar mais com homens. Mulheres são bem mais detalhistas ...

— Ai Ana, sobre isso não tenho medo. Eu sou muito bem resolvida com minha sexualidade, eu sei que não sou lésbica e se fosse assumiria numa boa. Pode ser que seja uma fase, pode ser que seja pra valer ... Ana eu tô muito apaixonada.

— E se te chamarem de lésbica? Você tá preparada para enfrentar isso de frente?

— Ana, não gosto de usar rótulos, mas o amor é só o amor, para mim pessoas são pessoas, sentimentos são sentimentos, não existem categorias, status, título ou rótulo que vá mudar minha sexualidade.

— Mas você não liga em ver as pessoas te apontando na rua e te nomeando de lésbica? Você não teme que isso venha a público?

— Você devia me conhecer mais, Ana. Na moral, isso é o que menos me interessa. Quando eu amo, eu simplesmente amo a pessoa. Apesar de ser a 1º vez que me envolvo com uma mulher isso pra mim não muda a forma de sentir , não muda nada na minha personalidade, no meu caráter, nas minhas crenças ou em meus valores.

— Ysa, eu queria ser como você, livre, intensa, decidida. Isso faz de você alguém muito especial, madura, admirável. Eu demorei muito para me adequar à situação, a ligar o foda-se. Sofri muito calada ante de gritar ao mundo.

— Mas o que importa é que você conseguiu, Aninha. Hoje nada te cala, nada te limita e você é a mulher mais incrível que conheço. Eu te admiro demais, sabia?

— Imagina, Ysa! Eu quem sou sua fã aqui.

— Deixa de loucura, Ana, que não tenho estrutura hoje pra um elogio desses.

— Vem cá guria, me dá um abraço aqui. Você tem todo meu apoio, viu ? Conta comigo! Vou dar uma de mãe e dizer que mesmo sem pinto precisa de preservativo.

— Ana, pelo amor de deus, sou formada em sexologia, esqueceu?

— Não, não esqueci que você se formou em todas as matérias da vida e fora dela. Mas me sinto na obrigação de cuidar de você.

— Obrigada mãe,kkk, me sinto tão neném quando você me coloca assim no seu colo.

— Kkkkkk, mas quem precisa de cuidado aqui? Olha quem transou semana passada sem preservativo em um banheiro de boate com uma fã estranha?

— Ai Ysa, você é careta pra porra. Por que não posso transar com estranhos? Eu gosto, poxa!

— Ok, Ana, transe com estranhos, mas se proteja sempre, por favor!

— Eu me protejo, ousada.

— Ana, eu tava com sua bolsa e no seu bolso não tinha camisinha. Não sei porque encho o carai de sua bolsa de camisinha se você não usa. Deve ser de enfeite.

— Ysa, da próxima vez que encher a minha bolsa de camisinha se certifique que é feminina.

— kkkkkkkkkkk, coloquei masculina?

— Colocou!

— Iii, foi mal Ana, não to muito acostumada ainda.

— Não tem problema, e para de sermão porque não precisei. Não chegamos a transar, foi só pegação, tava afim de gozar.

— Credo, Ana como você consegue gozar com uma pessoa estranha?

— Dedinhos e orgasmos.

— Ai Ana, credo! Me poupe, não pedi detalhes sórdidos.

— Você perguntou.

— Aff, Ana, vamos mudar de assunto. Tô ficando vermelha.

— Você tá ficando vermelha porque tá pensando em Gleycis, safada.

— Também. Ai Ana, vou tomar banho e vou dormir.

— Beijo.

— Boa noite.

— Dormir eu sei que você não vai. Vai tomar teu banho, faz o que você tem pra fazer e volta aqui pra gente assistir aquele filme que você tá louca pra ver, vai passar no Google play.

— Ana, você é abusada, nem tava pensando nisso mas já que você falou...

— Sai daqui”, disse jogando a almofada em mim.

— Ai Ana, essa almofada dói.

— Vou lá e volto, quero seu roupão emprestado.

— Pega lá na gaveta. O seu mandei pra lavanderia.


— Oi, te acordei?

— Não, acordo cedo

— Eu sei, é que hoje você tá de folga.

— Sim.

— Então... você já tomou café? Ia te convidar pra tomar comigo.

— Já sim.

— Quer sair?

— Pra onde?

— Sei lá. Onde você quiser eu te levo.

— A que horas?

— Agora.

— Agora? Agora não dá. Eu tenho que atualizar uns contratos pra Ana.

— E depois?

— Ah, depois tô livre.

— Quer ir ao cinema comigo?

— Pode ser. O que tá passando de bom?

— Não faço ideia.

— Então você não quer ir ao cinema coisa nenhuma.

— Na verdade, só quero te ver de novo.

— Mas pra me ver você não precisa me convidar pro cinema, basta vir aqui.

— Então abre.

— Como assim?

— Tô aqui em baixo.

— Jura? Nossa Gleycis, você é rápida né. Sobe aí.

Abri a porta, e ela já foi me jogando no sofá. Tínhamos tanta química, e eu excitada sem saber o que fazia. Pela primeira vez eu estava cedendo sem conseguir dizer não. Aquilo me abalava.

— Ei, calma , nem deu tempo pra falar oi.

— Mas já falamos oi no celular, vamos aproveitar. Esse oi aqui tá bem melhor.

— O que você tava fazendo aqui em baixo, Gleycis?

— Não dormi pensando naquele beijo da semana passada. Você tá me evitando que eu sei, não aceita mais ir ao café comigo, ficou a Semana toda inventando trabalho. Eu não aguento mais Ysa, quero você. Fiquei super excitada a semana inteira, sabia? Penso em nós todos os dias, e eu nunca senti nada igual por ninguém, te juro.

— Não tenho estrutura pra ouvir isso.- Ysa, eu te desejo. Não consigo parar de pensar em nós duas. Você também ficou excitada?

— Eu, eu vou pegar um café pra você.

— Ei, tá fugindo de mim? - falou ela me segurando pelo braço.

— Não to fugindo de nada, só não to acostumada com pessoas tão diretas.

— Desculpe, to indo rápido demais? Ysa, não podemos continuar fingindo que nada aconteceu, estou visivelmente apaixonada por você.

— Quer café, Gleycis?

— Me responde. Você sente o mesmo? Você fica excitada com meu beijo?

Eu respirei fundo e meu corpo tremeu por dentro, mas continuei calada.

— Você tá vermelha, Ysa, não queria te constranger, mas preciso saber. Pelo visto você não vai responder. Eu queria ir devagar, mas você entende que não estou conseguindo? Não consigo mais dar aula sem pensar em você. Eu te olho ali, sentada em minha frente, e só penso em te beijar, rancar sua roupa e ...

— Eita, não precisa verbalizar, já entendi... Jesus, acho que nunca passei uma saia justa assim - falei suando e passando uma das mãos no cabelo virando o rosto.

— Ysa, olha pra mim. Não consigo comer sem pensar na sua comida, nem tomar café sem pensar no seu. Nem olho uma flor sem lembrar de você. De repente tudo que eu faço precisa estar vinculado à você. Tudo que eu sonho é projetado em você, meu dia não tem graça sem você. Ontem deitei e imaginei uma viagem, nós duas em uma ilha, uma casinha só nossa, a gente se amando em baixo de uma árvore ouvindo os pássaros.

— Nossa! Não sabia que era tão romântica..

— Nunca fui Ysa Flor, você me faz ser.

— Então vamos esperar a ilha, a árvore, a casinha ....aqui não tem nada disso.

— É... Mas tem cama, sofá , carpete , chão ...

— Acho melhor pegar seu café - levantei desviando o olhar.

Caminhei até a cozinha, coloquei o café na xícara e quando virei ela tava bem atrás de mim.

— Você sabe que não recuso café Ysa, mas você tá tentando manter minha boca ocupada com outra coisa que não seja você.

Não tive tempo de responder. Fui surpreendida com um beijo arrebatador. A xícara caiu, ela disse :”cuidado, deixa eu ver seu pé, queimou?

— Não.

— Então a bagunça a gente limpa depois.

Ela me puxou e me imprensou contra o balcão da pia e me beijou. Quando dei por mim a roupa estava em cima do balcão em cima da torneira, e ela com a boca dela entre minhas pernas. E eu estava tendo o melhor orgasmo de minha vida inteira, até ali. Acho que não consegui disfarçar minha empolgação, quebrei a torneira e foi água pra todos os lados. Ela riu.

— Nossa, se soubesse que ia ser tão gostoso teria te chupado no dia que te conheci. Você é irreconhecível gozando. Nem parecia você. Estamos toda molhada e eu não tenho roupa pra ir pra casa.

— Agora você quer roupa, Gleycis?

— Você não vai desligar o registro?

— Não nem sei onde fica, eu procuro pra você.

— Agora você não sai dessa cozinha nem rezando pai nosso e Ave Maria.

— E a água?

— Tá te atrapalhando? - Perguntei passando a mão nos cabelos dela para trás da orelha. Encostei nela e disse: - eu já to nua, só falta você. Você fica sexy molhada.

- E você fica linda com essa blusa grudadinha, pingando assim. Seus seios são lindos, Ysa.

— Você me deixa tímida prestando atenção a detalhes assim.

— Impossível não notar.

— Mas não precisa falar.

Entendi, você prefere ação.”

— Isso!

Arranquei a blusa dela enquanto deixava minha intuição me guiar naquelas curvas. Fomos parar no chão embaixo da pia no meio daquela água toda caindo. Pouco me importava se ia inundar a casa, eu só queria que aquele momento nunca acabasse. Nos amamos ali. E depois, exaustas, tomamos banho. Eu dei um roupão a ela, enquanto a roupa dela secava na secadora.

— Espera, vou ligar pra Ana rapidinho.

— Ana.

— Oi, e aí, como estão as coisas?

Se eu te contar você não vai acreditar, mas não posso agora. O que posso adiantar é que quebrei a torneira e inundei a casa . A água já tá indo parar na sala, e tô com medo que vá para o corredor do prédio.

— Menina, o que você fez?

— Eu, nada. A culpa é de Gleycis.

— Meu deus, não acredito! Ela tá aí?

— Sim.

— Não precisa falar mais nada, já sei o que aconteceu. Mas tanto lugar pra trepar, vocês tinham a fazer isso na pia?

— Ana Carolina, por que ainda ligo pra você?

— Olha, tem um encanador ai em seu prédio. É filho do zelador, o pai dele trabalhou pra mim um período, mas não sei o número do apartamento. Desce, vai lá na guarita antes que vocês derrubem a estrutura do prédio.

— Vem cá vou procurar algo que caiba em você.

— Nada seu vai caber em mim. Você só veste roupa social e magrinha desse jeito ... desiste.

— Tem que caber. Precisamos ir lá em baixo chamar o encanador. Ana falou que ele mora aqui em baixo, mas não precisa ir na guarita perguntar ao zelador, interfona”.

— Meu interfone ainda tá sem acesso na guarita. Ah, já sei! Ana sempre deixa roupa dela aqui. Tem um vestido de Ana e tem um moleton dela também, você prefere o que?

— Moletom.

— Ok, toma, eu lavei semana passada, esqueci de entregar a ela hoje, tá limpinho.

— Obrigada.

Ela vestiu e descemos. Subimos com o encanador e ele disse:

— Minha nossa, como isso aconteceu? A força foi tanta que partiu o cano de dentro da parede. Vou ter que quebrar e abrir isso.

— Ai meu Deus! Em quanto tempo você acaba isso?

— 2 dias. O cimento tem que tá seco pra usar a pia.

— Você pode começar agora?

— Sim.

— Ok.

— Gleycis, vamos almoçar fora? Não vou poder usar a pia, eu vou dormir lá em Ana.

— Não precisa ir pra Ana, você pode dormir lá em casa.

— Não sei se é uma boa ideia.

— Por que não? Não quer passar um tempo comigo? Sou tão ruim de cama assim?

— Nada a ver com isso. Você é tão ruim que tô sem torneira.

— A culpa foi minha, eu pago seu conserto. Pago com maior prazer.

— Quero que você me pague de outra forma.

— Aceite dormir lá em casa que eu pago da forma que você quiser.

— Ok, aceito.

O telefone toca, era Ana.

— E aí, já resolveu?

— Ana, vai ter que quebrar a parede essa obra vai me render 2 dias fora de casa.

— Vem Pra cá.

— Desculpe Aninha, mas Gleycis convidou primeiro.

— Não acredito, já tão assim? Não acredito que vai me trocar por aquela Anã.

— Não fala assim, Aninha.

— Vá menina, eu entendo, deve ter sido bom pra você repetir a dose. Vá que você tá na seca. Graças a Deus vai deixar meu filho em paz . Ele ligou.

— E aí, ele tá bem?

— Tá. Me falaram que ele tá pegando geral na cidade, as meninas tão enfeitiçadas por ele, tá chovendo até mulher casada.

— Que galinha! kkkkkk.

— Elas que correm atrás dele.

— Sei, eu conheço a cara de sonso do seu filho, Ana. Pelo visto ele tá bem, né?”

— Tá.

— Que bom!

— Vai lá Ysa, me liga de manhã.

— Ok, beijo.




— Ysa, sua safada o que foi aquilo?

— Aquilo o que?

— Não se faça de desentendida. Aquele beijo na frente da escola.

— - Não tive culpa, ela me agarrou!

— A gente viu. Rapaz, ela tá louca por você, que chupão! Até a gente ficou babando.”

— Ysa, ela me beliscou toda, olha aqui meu braço.

— Porra, que beijo foi aquele? Até minha calcinha molhou.

— A minha tá sequinha. Nayara, você é pervertida demais.

— Duvido, depois daquele beijo, acho que você tá gozando até agora.

— Depois eu que sou safada.

— Ai meninas, tô amando muito essa mulher.

— A gente sabia que tava rolando um clima, mas não sabia que você gostava de mulher. Essa sua carinha de anjo engana, viu Ysa?

— Epa, pera aí, eu não gosto de mulher, não começa!

— Imagina se gostasse... a gente viu, Ysa.

— Só gosto dela, tô apaixonada mesmo, mas não quer dizer que eu seja lésbica.

— Como assim não é lésbica?

— - Quer dar um nó em nossa cabeça?

— - Ela deve ser bi Anitta - falou Nayara.

— Também não sou bi porra nenhuma, que louca!

— Ysa, ou você é lésbica ou você é bi.

— Deixa, Anitta, a professora tá comendo o cérebro dela.

— Vocês são duas loucas, gente. Parem de rotular a sexualidade. Pessoas são pessoas, homens ou mulheres se gostam, você ama e acabou, não existe isso de dar nomes.

— Ysa, o nome disso é bi, você gosta dos dois lados.

— O que tô tentando dizer é que não sinto atração por mulher, entende? Nunca senti.

— Por ela você sente, né?

— Claro, você não viu o beijo das duas? Tô suada ainda.

— Para, Nayara, foi só um beijo.

— Imagina elas duas na cama, vai quebrar a cama, tenho certeza.

— Ysa, como é o sexo?

— Não é da sua conta!

— kkkkkkkk, você é muito curiosa, Nayara.

— Eu nunca disse que não era, Anitta.

— Quem pediu quem em namoro? A professora, eu aposto! A Ysa não tem cara de quem deu o primeiro passo.

— Não teve pedido de namoro. Ela me agarrou e deu! Tá indo lá em casa todo dia, a gente tá se curtindo.

— É, deu pra perceber.

— Felicidade, amiga

— Obrigada, Nay.

— Vamos! A minha professora é linda, né?

— Ela é tarada, isso sim. Meteu a língua na sua boca sem pedir licença.

— Se pedisse não ia ter graça, né Anitta? Você é outra safada. Por que todo mundo tá me olhando hoje?

— Você atrai atenção todos os dias, Ysa, mas hoje te garanto que não é por causa do seu brilho matutino. Depois daquele chupão, já era pra você, vai atrair atenção mesmo se não quiser.

— Não to nem aí.

— Ysa do céu, você tá no blog da escola. Olha isso aqui!


“QUEM É A MORENA MISTERIOSA QUE FISGOU O CORAÇÃO DA PROFESSORA?”

— Que babado!! Você saiu na nota da escola.

— Meu deus, esses povo não tem o que fazer!

— Prepara, Ysa, os holofotes estão voltados para você.

— Anitta, com uma bunda desse tamanho você acha que alguém vai perder tempo comigo? Daqui a pouco eles esquecem.

— Quero prova. Já vi que você e a professora vão ser o assunto do ano.

— Eu arrasto as duas juntas, não quero ser notícia sozinha, Kkkkkkkkk”.

— Oi amor.

— Amor? Já?

— Não quer ser o meu amor?

— Ah se quero. Então eu sou.

— Vem pra cá depois do trabalho, vamos jantar fora.

— Queria que viesse aqui pra casa, a gente pede comida aqui, fica assistindo seu programa de investigação favorito, faz amor, dorme, acorda, faz amor de novo e acorda grudadinha, o que acha?

— Ai Gleycis, mas eu amo sair, ver gente, ouvir uma música animada.

— Ysa, você trabalha o dia todo, não cansa, não?

— Eu não canso nunca, Gleycis, se acostume. Mas eu vou.

— Tô acabada, Ysa, espero que entenda. Não curto muito sair dia de semana, só queria ficar com você.

— Ok, Gleycis, entendo sim. Fico ai com você depois do trabalho.

— Ok, te espero. Te amo, minha vida”

— Eu também. Até mais.

— Até.


— Oi, Ana.

— Oi Ysa, tá tudo bem?

— Tá, por que?

— Não te vejo há dois dias.

— Ai Ana, é que saí tarde da casa de Gleycis ontem, não deu pra passar aí.

— O namoro de vocês tá avançando rápido, né? Um grude. Isso vai dar em casamento.

— Que nada, Ana. Nem pensamos nisso ainda. É que gostamos de ficar juntas.

— Vi peças de roupa dela na sua casa. Aposto que já tem calcinha na gaveta, um pertence aqui, outro ali. E se deixar a escova de dente minha filha, fudeu! No dia que ela deixar a escova se prepare, é pedido de casamento.

Levantei. Abri a minha gaveta e lá estavam 3 calcinhas de Gleycis. Abri o armário: um batom e o pente. No criadinho a pulseira.

— Ai Ana, que boca você tem!

— Tá procurando, né? Aposto que você tá zanzando pela casa igual uma louca contando os objetos dela.

— Eu não.

— Te conheço, Ysa.

— Ai, Ana.

— Achou a escova de dente?

— Achei.

— Parabéns, Ysa.

— Que foi?

— Você tá casada.

— Respeita minha história, Ana Carolina.

— Depois não diga que não avisei. Só uma coisa Flor: venha me ver, tô morrendo de saudade.

— Tá Ana, eu vou.

— Vamos almoçar juntas hoje?

— Ana tô cheia de trabalho.

— Porque agora só faz ficar com a Gleycis.

— Ai Ana, tá bom. Vamos sua chata, te amo!

— Também te amo.


A campainha tocou.

— Nossa, quem subiu sem interfonar?

— Oi amor.

— Oi, que surpresa boa, entra.

— Vim te ver, não aguentei de saudade.

— Que bom, vamos tomar café?

— Vamos sim.

— Por que não avisou que vinha?

— Queria fazer surpresa, tem problema?

— Nenhum.

— Almoçamos juntas?

— Não vai dar Gleycis, acabei de marcar com Ana.

— Você e Ana são muito grudadas né?

— Somos sim.

— Você agora tem namorada.

— E o que muda?

— Você com Ana pra cima e pra baixo, o que vão fala?

— Gleycis, não queira competir com Ana, você perde. Ana e eu não tem nada a ver da forma que você tá pensando. Ela é como uma mãe pra mim.

— Eu não quis dizer isso, Ysa.

— Mas já tô avisando, Ana é especial em minha vida.

— Eu não sou?

— É sim, mas de uma maneira completamente diferente. To me sentindo culpada porque deixei de ir ficar com Ana a semana inteira pra ficar com você. Não tá certo eu deixar ela sozinha, tem 4 dias que não vejo Ana, a gente nunca ficou esse tempo todo sem se ver com ela dentro da cidade. Não vou permitir nunca que meu relacionamento com ela mude por sua causa.

— Ai, amor, desculpa.

— Não brinque com isso, que me magoa. Não quero ter que falar novamente sobre isso com você. Desde o começo que você implica com Ana, fica soltando piadinha, não vou permitir isso, Gleycis, eu não gosto disso.

— Ai amor, não fica chateada comigo.

— Você tem ideia do que você insinuou, Gleycis?

— Já pedi desculpa.

— Ok, vamos sair, vai, não quero brigar com você.

Ela me puxou me beijando. O beijo foi parar na cama e fomos tomar café no mesmo café de sempre. Nos despedimos ali, deixei ela no trabalho e fui pro meu.

— Ysa, o relatório tá em sua mesa.

— Obrigada Murilo.

- Imagina.

— Bom dia senhora Ysa.

— Não me chame de senhora, Carlos.

— Bom dia Ysa, tá feliz hein? Esse sorriso é o que?

— Amor Tiago.

— Nossa senhora, traga o namorado aqui.

— É namorada, Cintia

— Nossa! Não sabia que era...

— Que era o que? Continue ...

— Lésbica?”

— Mas não sou. Eu estou lésbica. Estude o verbo TO BE que você entende. Beijo amores. Tô em minha sala, se precisarem de qualquer coisa...

Cheguei com o copo de café na mão, coloquei sobre a mesa e sentei. Meu deus, nunca tive tanto trabalho! Namorar e trabalhar nessa vida são coisas complicadas quando feitas juntas. Preciso acabar antes do meio dia, não posso falhar com Ana.

— Desculpa Aninha.

Meu coração dói só de pensar que deixei Ana 4 dias sem minha sopa que ela adora. Hoje vou fazer tudo que ela gosta. O tempo voou, quando eu vi estava conferindo o último relatório, “graças a Deus, pontual!”

Ana chegou que nem louca.

— Ysaaaa!

— Ai Ana, precisava gritar tanto? Que susto! Quer me matar?”

— Me matar vai você de saudade - falou abrindo os braços em minha direção.

— Ai Ana, que saudade também. Desculpa Ana, me distrai demais.

— É, eu sei sua distração preferida nos último tempos: Gleycis.

— Amanhã a gente faz 6 meses de namoro Ana.

— Ai que legal! Quero dar um presente presente a vocês.

— De jeito nenhum.

— Ysa, aceite.

— Ok, Ana.

— Vou reservar uma mesa pra vocês duas no meu restaurante favorito da cidade

— Ai, jura? Aquele restaurante é lindo Ana.

— É sim! Jantar a luz de velas, romance...Vocês duas merecem.

— Obrigada Aninha.

— Não por isso.

— Vamos!

— Ysa, to pensando seriamente em passar a Adm da empresa toda pra você.

— Tá louca, Ana?

— Não. Acho que você tem preparação suficiente, e eu não ando satisfeita com gerência do Ricardo.

— Ana, mas ...”

— Mas nada, tá decidido. Você já faz tudo, Ysa, não sei porque pago o salário dele. Vejo como ele tem colocado o trabalho pesado em suas costas. Não é justo. O salário que pago a ele vou pagar o dobro a você.

— Por que o dobro, Ana?

— Porque você vale por 2. Você faz em uma semana o que ele faz em 1 mês. É muita disparidade, Ysa, não posso fazer vista grossa pra isso.

— Ok Ana, eu aceito. Mas não precisa me pagar o dobro. Você já me paga bem.

— É a primeira vez que vejo um funcionário reclamando em ganhar bem.

— Não tá mais aqui quem falou, Ana.

— Seu trabalho deve ser valorizado, Ysa.

— Eu me sinto valorizada Ana. E como!

— Chegamos.

— Graças a Deus, que fome!

Em 8 meses trabalhando com Ana e recebendo por 4 funções na empresa eu já tinha conseguido passar de 100 mil para 2 milhões. O saldo da minha conta só fazia crescer e foi aumentando sucessivamente. Agora com a mudança de cargo eu ganharia 8 X mais . Era lucrativo, divertido e eu amava o que eu fazia, então estava em uma fase boa. Nesse período, deixei de prestar serviços terceirizados como agente, porque a demanda na empresa cresceu e, obviamente, minhas responsabilidades aumentaram.

— Oi Gleycis, entra! Quer água?

— Não, quero você.

— Nossa!

— Que foi? Direta demais?

Ela já entrava me jogando no sofá . E foi assim uma semana inteira. Ela foi deixando um peça de roupa aqui, um escova ali, calcinhas na minha gaveta, e quando percebi estávamos morando mais juntas que separadas. Bem que Ana me avisou que não ia ser um namoro tradicional. Estávamos tão apaixonadas, não dava pra esperar, fomos tão imediatas em tudo, não queríamos esperar mais nada, só queríamos ficar juntas. Duas semanas depois daquele dia cheguei do trabalho e, adivinha? Ela estava lá em casa, sentada na sala, sem roupa e com a mala na porta de entrada.

— Golpe baixo!

— Oi BB, vim ficar com Você. Não só hoje, mas tô dizendo que vim morar com você, se você quiser é claro!

— Jura? Mas precisava tirar a roupa?”

— É pra te convencer melhor.

— Tá conseguindo, mas eu sou difícil, vai ter que me convencer melhor que isso.

— Ah, isso eu sei fazer como ninguém.

— Adoro!

A gente transou 3 vezes seguidas aquela tarde. Abrimos a janela, e o céu tava rosado. Deitei em nos braços dela, e ela perguntou:

— Tudo bem mesmo se eu ficar?

— Sim, claro, vou adorar dividir a vida com você. Sem você eu não consigo mais ficar.

Gleycis foi ficando aos pouquinhos, e no final estávamos morando juntas, cheia de planos de sonhos, com uma vida estruturada e feliz. Fizemos muitos planos juntas. Vivemos muitos momentos felizes ali... Ela alugou o ap dela e veio morar no meu. Continuamos frequentando o café e comendo pão de queijo aos finais de semana. A gente não saia muito, mas adorávamos cada momentinho da nossa rotina. Eu me adaptei tanto a ela e tudo que eu queria era viver com aquela mulher pelo resto da vida. Só que eu ainda não sabia que a vida é longa demais para ter restos. A vida é feita de ciclos, o eterno pode durar uma vida, ou apenas um momento....

___


O Diário de Ysa Flor

Eu realmente era um bebê perto do que a vida ainda ia me revelar e me ensinar. Eu estava feliz em um mundinho encantado que parecia ser só nosso, até outro protagonista roubar a cena. Novas pessoas entraram, algumas saíram, mas o mais importante de tudo ficou: Aprendizado, maturidade, respeito, amigos reais e leais, é tudo o que levamos da vida quando ela acaba pra gente. Dinheiro é mato, capim, e esse capim verdinho que causa inveja a muita gente pode até fazer alguém feliz, se esse alguém tiver família, amigos e respeito pelo próximo, compaixão empatia e mais vontade em ajudar que em receber . O maior presente que podemos receber das pessoas não é material. O maior presente que podemos dar a alguém é seu tempo, sua dedicação, seu amor verdadeiro, sua entrega. Como eu sempre digo: o amor é sacrifício que se faz sorrindo sem cobranças e sem sentenças. O amor é só ele mesmo. Como um espelho, ele só reflete aquilo que mostra, sem troca, sem contratos e sem merecimento. O amor é só o amor, e só o amor pode mudar tudo, pode mudar sua vida em apenas um milésimo de segundo, pode derrubar prisões e construir castelos ... O amor vai te surpreender e desconstruir toda a fantasia que você sempre acreditou que ele era. O amor simplesmente pode tudo que quiser. Se existisse uma fórmula milagrosa para curar todas as doenças e danos, essa fórmula, com certeza, se chamaria AMOR.

Posts recentes

Ver tudo

コメント


2018, by Ysa Flor

 ©direitos autorias reservados

 

bottom of page