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Cap. 3 - Renascendo.

Atualizado: 23 de jan. de 2023


Aos 17 anos eu fugí de casa.

Eu levara anos planejando aquele dia pois eu não tinha uma família, vivia enclausurada e submissa a sádicos que tinham o meu sangue mas nunca viveram ou souberam o conceito de família. Foi quando eu descobri que família não tem nada a ver com sangue, mas sim com laços de amor, respeito, carinho e admiração, e quando eu encontrei Ana foi quando senti, pela primeira vez, que eu tinha uma família.

Quando as pessoas estão predestinadas a entrar em nossas vidas, elas entram, não importa quanto tempo leve. O meu encontro com Ana foi lindo, e até hoje me emociono quando lembro.

Eu sempre dei o meu melhor na escola pois sempre soube que era o único jeito de sair de casa, e ser independente era o meu maior sonho.

Desde os oito anos de idade eu me preparava para este dia e, finalmente, quando o dia chegou, eu só fechei os olhos e agradeci por tudo o que eu tive até ali, pela casa, pela roupa, comida e estudo...

As pessoas me perguntavam como consegui ficar tanto tempo sendo maltratada, e eu respondia:

_ Eu pensava sempre que poderia ser pior. Eles podem me aprisionar, bater, explorar, mas minha alma é livre. Nasci livre, sou espírito livre, e isso eles nunca vão poder tocar. Eu me baseava nos livros que lia, nas histórias de amor que eu conhecia e pensava: “um dia eu também vou ter uma família para amar incondicionalmente.

Me formei aos 17 anos e no mesmo ano consegui um emprego como organizadora de eventos em outra cidade. Minha professora tinha me indicado porque ela sabia que eu era boa nisso. E foi assim que comecei a vida dos meus sonhos, com um salário mínimo, mas muito feliz.

Eu tinha o meu dinheiro, meu trabalho, e fiz amizades em todos os lugares por onde eu passei. Aos dezoito anos conheci o meu “primeiro amor”. Ele era ator e cantor. O conheci em um evento de mídia que organizei.

Eu sempre fui muito tímida e focada, por isso nunca antes tinha investido meu tempo pensando em “garotos”, até porque eu nunca gostei de garotos, eu gostava de homens, rsrsrs. Tipo, minhas colegas da escola gostavam de garotos de quinze, dezesseis... enquanto eu só olhava os de vinte e seis, trinta... Elas me chamavam de louca. E diziam:

— Esses caras tem idade pra ser seu pai.

E eu falava:

— Melhor pai que filho, não acha? Se eu quisesse criança eu ia pra creche. Não acho menininho sexy, perdão se vocês curtem.

E elas diziam:

_ Por isso que você não pega ninguém. Nenhum homem de trinta vai querer uma menina de dezoito com cara de quinze.

_ Aí que vocês pensam, amores. Eu levo cada cantada, propostas e convites que se eu quisesse tinha mais de sete, dava pra semana inteira, mas eu não “peguei”, como vocês falam, porque eu nasci na época errada. Pegar é fácil, quero ver te assumir. Quero ver amar, quero ver segurar a barra junto. Quero ver não trair, ser sincero, não mentir. Eu não vejo graça nenhuma em ‘pegar’, beijar por beijar, transar por transar, que sentido tem isso? Eu posso completar 30 anos, mas só namoro alguém no dia que eu me apaixonar. Eu não consigo viver sem emoção.

Elas ficavam rindo, me chamavam de careta. Todas iam a festas, mas eu estava esgotada. Depois de um dia de trabalho só queria ir pra casa. Finais de semana eu escrevia, lia livros, e adorava passar tempo comigo mesma. Nunca me amei tanto, nunca fui tão feliz na vida. Minha casa, minhas coisas, pertinho da natureza, eu tinha uma vida só minha.

As meninas que trabalhavam comigo perguntavam o tempo todo como eu aguentava morar sozinha no meio do mato. Elas achavam uma loucura o fato de eu não ter medo de nada, não ir pra balada e não ter um namorado, porque para elas a vida era só isso e dependia só disso. Eu nunca entendi porque eu deveria ter medo de morar em uma casa pequena, mas tão linda, perto de um rio, de árvores, flores, cachoeira, pássaros. Para chegar na cidade era só atravessar uma ponte, pegar um ônibus e em 20 minutos estava lá. Por que eu não ia gostar de minha própria companhia? Se eu não gostasse, quem um dia iria gostar? Como eu não ia gostar da minha liberdade, daquela paz só minha, sem gritos, sem ordens, sem surra... Eu realizei meu sonho, por que precisaria de um namorado para me sentir feliz? Eu não entendia por que chamavam isso de solidão. Na verdade, acho que tudo era uma questão de perspectiva. Aquela paz que elas chamavam de solidão eu encarava como um refúgio, ali era meu lar. Então, foi aos dezoito anos que me apaixonei por esse ator, e como eu o encontrava em todos os eventos que eu organizava, estávamos sempre nos esbarrando, e eu organizei alguns eventos para ele.

Um dia ele quis me conhecer. O segurança pediu para o produtor me chamar. Ele chegou e disse:

- Ysa, desculpa incomodar. Rodrigo Marim quer te conhecer, pediu para te levar ao camarim.

- Como?”, perguntei.

- Ele quer te conhecer.

- Mas ele me conhece. Passo direto por ele, e ele fala comigo sempre.

- Mas ele disse que só te cumprimenta, mas que nunca conversaram.

- Sim, mas o que ele quer?

- Não sei, ele só pediu pra falar com você.

- Olha, diz a ele que não posso parar aqui agora ou vou atrasar meu trabalho, mas se for algo urgente ele pode vir até aqui, já que é a mesma distância.

- Nossa, Ysa, custa você parar um pouco?

-Sim, me custa tempo, e tempo é precioso, fora que eu não gosto de deixar nada pela metade, comecei e vou até o fim. E não, eu não vou!

- Ok, você quem sabe, tchau.

- Rodrigo, ela não quis vir.

- Como assim?

- Não quis, e eu fiz de tudo. Ela disse que está ocupada e não gosta de atrasar e nem deixar pela metade. Mas disse que se for urgente você pode ir até ela.

- O que? Eu? Quem ela pensa que é? Pois eu vou mesmo.

Ele veio pisando forte.

- Oi, Ysa.

- Oi, tudo bem?

- Sim, queria falar com você.

- Pois não, sou toda ouvidos.

- Você pode parar e olhar pra mim?

- Desculpe, mas não posso atrasar, a festa começa daqui a 2 horas e tenho que concluir aqui.

- Ysa, a festa é minha, pare por favor, eu me responsabilizo se atrasar.

- Ok, diga.

- Por que você não foi quando mandei lhe chamar?

- Porque eu estava trabalhando, como você pode ver.

- Mas eu chamei.

- Sim, e daí? É minha obrigação dar o meu melhor. Olha, não tenho tempo pra bater papo, então fala logo.

- Você é sempre assim?”

- Assim como?

- Grossa.

- Não! Grosso é você. Olha aqui! Só porque você é rico e famoso e as mulheres babam por você, eu não sou obrigada a fazer o mesmo. As pessoas estão tão acostumadas a ouvir mentiras que a verdade choca, aí sou vista como grossa por isso, entende? Mas ligo não, já estou acostumada. Pronto senhor, parei minhas obrigações pra olhar pra você, satisfeito? Agora pode falar, você tem 5 minutos.

- O que?

Ele ficou paralisado em minha frente gaguejando, e não conseguia falar nada.

- Bem, já que não tem nada a dizer vou voltar ao trabalho, porque se tem algo que eu não gosto de perder é tempo, entendeu?

Virei em direção a mesa e continuei a decoração. Mas, 5 minutos depois...

- Ei, espere. Sou eu quem estou lhe pagando, você não pode falar comigo assim.

- Ah.. interessante...”, ironizei.

-Eu só queria elogiar o seu trabalho. Você tem apenas 4 meses trabalhando nessa empresa e nunca ouvi uma reclamação, ao contrário, só ouço elogios. Então resolvi parabenizar e te chamar pra tomar um café, um vinho quem sabe.

- Devo me sentir lisonjeada então porque você abusa do seu poder para me seduzir? Olha, sou paga para fazer o meu trabalho, e até onde eu sei ele não inclui sair com você. Agora, se você quer pagar pra sair com uma mulher conheço lugares ótimos e acho que nesse caso o Google ou a Siri pode te ajudar. Obrigada pelos elogios, mas só faço o meu trabalho, e se eu aceitasse seu convite não estaria sendo profissional. Não fui contratada pra sair com você e nem atender seu chamado um hora dessa em seu camarim. Estou fazendo o que fui paga, para trabalhar, e não pra puxar o seu saco.

- Ok, profissional, belo trabalho. Nenhuma mulher nunca ousou falar assim comigo antes, ao contrário, elas dariam qualquer coisa pra jantar e sair comigo.

- Não diga!!! Fico assustada com essas coisas, mas enfim, eu não sou elas. Espero que você entenda que eu não funciono na mesma configuração. Então se não atendo suas expectativas, sinto muito, mas esse não é o meu trabalho. Se fosse você estaria feliz pois tudo o que faço, faço bem feito, ou melhor, perfeito, porque se não for pra ser perfeito prefiro nem fazer, entendeu?

-O que você tá querendo dizer com isso?

- Ah, não entendeu? Consulta um dicionário, talvez te ajude. Também não sou paga pra dar aula nem pra ser intérprete.

- Você está sendo grossa!

- Jura? Vai ver que a vida é um espelho e a gente só devolve o que recebe na mesma medida”.

- Mas eu não sou grosso. Te ofendi? Mas você sim, me ofendeu.

Voltei o rosto, olhando nos olhos dele, e respondi:

- Sim, me ofendeu, e não imagina o quanto.

- Como? Pode me explicar? Não agredi, não te xinguei, não tratei você mal, ao contrário, só fiz elogios e convidei você pra sair. Toda mulher se sentiria especial em seu lugar.

- Primeiro, já te falei que não sou uma máquina ou celular que você ativa o modo configuração padrão. Segundo: se você acha mesmo que me tratou bem a ponto de eu dever me sentir especial, você realmente precisa de terapia urgente. Vou responder sua pergunta, mas não pra te ofender, e sim pra você enxergar como você foi grosso. Primeiro, seu ego é tão grande que você mandou um empregado seu me chamar, ao invés de vir pessoalmente. Você se sente o máximo, e acha que todo mundo tem a mesma obrigação, e ainda fica frustrado porque uma mulher tem coragem de dizer: “ei cara, se toca, Você não é tudo isso não”. Terceiro: é indelicado você, sabendo que só tem nós dois na empresa, me chamar para ir ao seu camarim a essa hora da noite. O que você tem a falar não pode ser dito ou visto pelo único empregado que está por aqui, por que? O que você realmente queria comigo? Aposto que não era me elogiar e nem me chamar pra jantar, era? E mesmo que fosse, não se aborda uma mulher assim. Tipo, talvez um cartão, uma rosa, ou até mesmo uma aproximação menos abusiva. Então, se você espera que eu retribua sua grosseria com elogios, não faz meu tipo fazer teatro pra te agradar, o ator aqui é você, não eu. Pronto, acabei. Espero que sua festa de Ano Novo à meia noite seja como planejou. Feliz Ano Novo!

- Ei, Ysa, desculpe, não fiz por mal, nem tinha pensado sobre isso. Você tem razão, fui arrogante, peço desculpas.

- Ok, desculpado.

-Olha, já que está aqui, fica. Podemos conversar, nos conhecer melhor. Você vai passar a virada do Ano Novo onde? Tem planos?

- Não, não tenho porque não quero. Ano Novo pra mim não é uma comemoração, é um momento de reflexão interior. Então preciso estar sozinha. Mas obrigada pelo convite, em um outro momento, quem sabe. Tchau!.- falei pegando a bolsa e saindo. Ele ficou paralisado e sem palavras.

Cheguei em casa, coloquei as coisas em cima da mesa e fui direto para o banho. Me enrolei na toalha e peguei um caldo na geladeira para esquentar, estava frio. Liguei a TV, sentei no sofá tomando caldo fiquei enrolada no edredom. Como sempre, estava assistindo uma série que eu nunca consegui concluir: Friends. Acabei de jantar e desliguei a TV, precisava refletir. Coloquei uma música de Kenny G e processei muitas informações, e tudo que passou era como um sonho ou pesadelo.

Bem, foi o que sempre pensei, mas algo me fez refletir que foi por causa de tudo o que eu passei que hoje estou aqui, onde estou, e graças a Deus não foquei na dor mas sim no meu objetivo, e esse ano foi o mais feliz da minha vida, e sabe, eu só sinto gratidão porque eu escolhi olhar para o passado por um outro ângulo, e isso mudava tudo, inclusive o meu presente. O passado já não existia, já não doía mais, já não era mal e isso me arrastou para uma série de questionamentos, e aí fiquei montando minhas teorias até que meu celular tocou. Era ele.

-Oi.

- Oi, fala.

- Feliz Ano Novo.

- Obrigada! Feliz Nova pessoa.

-O que? Com assim?

-Bem, pra o ano ser novo e para isso acontecer, a mudança tem que começar em você, concorda? Não adianta a ordem cronológica ser nova se você não evolui e continua o mesmo, e com as mesmas atitudes.”

- Nossa, que analogia incrível! Você pode anotar isso pra mim?

-Anotar? Pra que?

-Preciso refletir, ok?

- Ok, mas você anota, pega o papel.

- Pronto, anotei. A minha definição de Ano Novo mudou agora. Quem te ensinou isso?

-A vida.

-Ok. Se quiser aceitar, o meu convite tá de pé.

- Não, obrigada.

- Você tá em casa mesmo?

- Sim.”

- Você é estranha, intrigante, misteriosa, mas gosto de você, sabia?

- Legal, mas de verdade, hoje eu prefiro a minha companhia, quero ficar sozinha.

- Você está triste?

- Só porque quero ficar só? Não! Na verdade esse é o dia mais feliz da minha vida e por isso quero ficar só, pra agradecer e trazer à minha vida o verdadeiro sentido do Ano Novo.

- Não entendo como uma menina tão bonita quer passar a virada do ano sozinha, acho isso deprimente. Não vejo sentido nenhum.

- Você fazem tudo contrário. Eu que não vejo sentido nenhum em uma comemoração onde todos se vestem de branco pra pedir paz quando eles mesmos provocam brigas e morte. O que adianta estar em uma multidão de pessoas e se sentir só? O que não faz sentido é estar conectada a pessoas que não sabem nem a representação do que vestem. Pessoas sem consciência estão em conexão com o exterior, as energias estão limitadas e elas estão limitadas em seus mundinhos. Eu quero agradecer e estar conectada a algo superior, entende? O Ano Novo não é para festejar com cachaça e ofensas, mas sim para se interiorizar, refletir, mudar o que precisa e se conectar com energias positivas. O Ano Novo representa evolução, são velhos ciclos se fechando para que novos se abram. Então, muito obrigada pois o que você chama de solidão eu chamo de repouso interior. Adoro minha própria companhia, Prefiro eu mesma a estranhos proferindo palavras que não sabem o significado e emanando energias que não desejo me conectar. Então não, eu não quero sair. Esse é o meu momento, e o meu compromisso é comigo mesma de me tornar uma pessoa melhor a cada dia. Porque se não temos consciência que precisamos de uma limpeza energética e espiritual o ano será o mesmo e nada vai mudar, nem pra você, nem pra mim, nem pra humanidade.

- Poxa, Ysa, você é tão nova e tão profunda, nunca pensei nessas coisas, mas faz sentido. Se quer ficar sozinha, tudo bem, mas eu não quero. E hoje estou me sentindo só, mesmo no meio de tanta gente. Se você me convidar posso te fazer companhia.”

“Desculpe, mas quero ficar só mesmo.

- Ok, não vou insistir. Feliz Ano Novo pra você também.

A minha música meditativa estava de fundo, e eu só agradecia por tanta realização. Estava realmente feliz e sentia que seria o ano da minha vida. Meditei 3 horas, e da minha janela eu via os fogos bebendo chocolate quente. De repente, um meteoro passou bem perto da minha árvore. Que estranho algo tão pequeno provocar tanta luz.

Eu recostei na janela e vi 2 corvos, um macho e uma fêmea, e o casal parecia unido. Eles cantavam alto, e era lindo. Eu nunca tinha visto um corvo. Que lindo, eles me lembravam minhas corujinhas. Nunca vou esquece-los, estejam onde estiverem.

“Gratidão por elas, por vocês, e por essa energia linda. Voltem sempre que quiserem, a casa é nossa. Vou deitar, quero acordar cedo para aproveitar a vibe da cachoeira. "Tchau corvinhos, até mais!”

Acordei as 5:30 com os corvos cantando, eles não tinham ido embora, que fofos. Tomei meu café na varanda em contato com a natureza como de costume. O sol nascendo, as árvores altas e o raio de sol dourado como um feixe de luz brilhante batia em minhas pernas. Eu, recostada na namoradeira com minha xícara de café, só conseguia sentir aquela paz, e isso foi tudo o que eu desejei um dia, e agora era real, eu sabia que seria.

Meu telefone toca. Eu levantei me perguntando: “quem deixa de se conectar com a vida, a natureza, o sol uma hora dessa, pra se conectar ao celular?” E ali estavam as famosas mensagens de Feliz Ano Novo que para muitos vão ser iguais, mas, enfim. E em meio a tudo isso, tinha a mensagem de Conexão Interior. Desde os 6 anos eu sinto alguém falando comigo, as vezes em sonho, as vezes em pensamento, e a voz dela é tão grave, tão doce, tão linda, diferente da voz de minha mãe, mas essa voz sempre me diz: “Se cuida, nós te amamos, e nunca esqueça que você nasceu para brilhar. Você tem uma missão linda. Somos uma, você é a lenda que conscientizará multidões.” Talvez seja a minha mãe do céu, mas a voz não é dela. Sei lá, talvez a voz mude depois que morre. Só sei que me faz um bem enorme ouvi-la e saber que, em algum lugar, alguém está conectado a mim.

______

Hoje estou de folga, mas não consigo ficar quieta. Vou fazer trilha nas minhas árvores favoritas da vida. Elas são lindas, tão altas, e adoro deitar olhando para o céu, bem em volta delas. Vou levar umas frutas. Enfim, Paz! Só consigo sentir isso. Meu celular toca, como sempre, quem será? Ai, não acredito, é o Rodrigo.

- Oi Rodrigo.

- Oi. Feliz dia Primeiro!

- Obrigada, pra você também. Em que posso ajudar?

-Calma gatinha, você está sempre na defensiva comigo por que?

- Nada Rodrigo, gosto de ser direta, só isso.

- Então lá vai. Só te deixo em paz quando aceitar meu convite.

- Que convite?

- Café, doceria ou barzinho?

- Rodrigo, o que você quer de verdade?

- Sair pra conversar, te conhecer melhor. Gostei de você, tão novinha e tão madura pra a sua idade.

- E você sabe a minha idade? Engraçado, não me lembro de ter falado.

- Não, não falou. Só espero que seja de maior, né? KKKK.

- Essa foi boa. Não sei não, talvez...

- Por favor, Ysa, diz que sim.

- Claro, né. Maior e vacinada.

- Preciso pedir permissão aos seus pais pra te levar pra um café?

- Não tenho pais.

- Oh, desculpe, sinto muito.

- Ok, sinta não, tô bem. Faz muito tempo...

- E você mora com quem?

- Por que a pergunta?

- Nada, só tentando saber mais sobre a misteriosa Ysa.

- Hum... talvez um dia se eu achar necessário te conte, mas por enquanto tudo o que precisa saber é que eu sou de maior e estou ótima, nome, telefone já está bom, não acha?

- Não! Quero saber tudo sobre você.

- Tudo? Ah querido, tudo não dá. Mas tenta, quem sabe você me surpreende.

-E o meu convite?

- Deixa pra próxima.

- Por que? Tem compromisso hoje?

- Sim. Tô indo ao centro resolver algumas coisas.

-Perfeito! Centro, café, conversa, esse friozinho. Você gosta de café?

- Gosto sim, mas qual parte você quer que eu desenhe? Vou ao centro fazer umas coisas importantes.

- Será que não pode me dar 10 minutos? Eu posso te acompanhar se você deixar.

- Ok, vou aceitar o café. 10 minutos. As 18 estarei lá e se atrasar vou embora.

- Ok, marcado.

E foi assim que tive meu encontro de 10 minutos. Conversamos, e 3 meses depois começamos a namorar. Mas como os ciclos mudam e tudo sempre evolui, foi bom enquanto durou, mas acabou. A vida me trouxe novos fluxos e novas direções. E um dia recebi uma proposta de trabalho irrecusável, e fui. Me joguei, pois me jogar era o que eu fazia de melhor, rsrsrs. Eu sempre amei mudanças e novidades, então senti, enfim, que minha vida estava ganhando ação, isso me deixava eufórica. Na verdade, eu vivi uma vida de tanta privação na infância que agora eu sentia que o mundo era meu, e ficar parada era a única coisa que eu não queria, eu queria movimento.

Qual será essa proposta incrível de trabalho que a Ysa vai receber? Confira no próximo capítulo!


Serendipity 11:11 - O Portal do Amor

Ysa Flor

Livro Lançado dia 11/11/2019, à 11:11

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2018, by Ysa Flor

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