Cap. 6 - Ysa C.S.I
- © by ysaflor
- 6 de nov. de 2019
- 9 min de leitura
Atualizado: 23 de jan. de 2023
Ana saiu e eu respirei fundo. Me olhei no espelho, retoquei o batom vermelho e peguei o café do Starbucks, “nossa, me sentindo no CSI em Nova York.”
Os dois rapazes entraram. Um deles perguntou:
— Olá, pediu para falar com a gente?
— Sim. Sou Ysa, a inspetora responsável pelo caso. Queiram se apresentar, por favor.
— Eu sou Joel.
— Eu sou Pedro.
— Ok. Pedro, você espera 2 minutinhos lá fora que quero falar com Joel.
— Por que separado? O delegado sempre chama a gente junto.
— Tenho cara de delegado?
— Não, senhora.
— Senhora não. Senhorita por favor. Daqui a 2 minutos você entra.
— Ok,
— Sente-se Joel. Tudo bem com você?
— Sim.
— Que chato isso tudo acontecendo na empresa, né?
— Pois é senho... quer dizer, senhorita Ysa.
— Então o que você tem a dizer?
— Nada.
— Interessante. Quer sair já, Joel?
— Eu não.
— Ah, achei que estivesse olhando pra porta. Deve ser impressão minha... Me diga uma coisa você tem conta no exterior?
— Na- na... não.
— Ok.
— Seu pai é vivo?
— É sim , mas o que isso tem a ver?
— Quem faz as perguntas aqui sou eu, você só responde.
— Ok.
— Se você tivesse a oportunidade de comprar uma Ferrari ou dar um presente a pessoa que você mais ama no mundo, o que você escolheria?
— Comprar uma Ferrari, claro.
— Ok.
—Você não?
Levantei os olhos em direção a ele, e ele disse:
— Desculpa, você pergunta eu só respondo, entendi.
— Sua boca tá seca, você tá nervoso. Se quiser pode pegar água.
— Ah, quero sim. Não tô nervoso, é que tô com dor de cabeça.
— Hum interessante... Dor de cabeça? Já acabei, pode sair.
— O que? Que tipo de policial é você que não perguntou nada, tipo onde eu estava no horário exato do crime, o que eu estava fazendo, etc...Todos os policiais perguntam esse tipo de coisa e você não trocou duas palavra comigo, e acabou?
— Acabou. E pare de comparar as pessoas, isso é feio, eu não sou qualquer tipo de policial, eu sou A POLICIAL. Você quer que eu faça essas perguntas porque você já as ecarou antes ou só pra me ensinar a seguir um padrão? Eu já sei quem pegou o dinheiro. É claro, não foi você, né?
— Não, claro que não.
— Foi o que pensei. Eu acho mesmo que você não tem nada a ver com isso. Vaza.
Quando ele estava saindo percebi que novamente ele mudou a linha de base.
— Quando passar pelo corredor peça ao Pedro para entrar, por favor.
— Ok.
— Pedro, a policial mandona tá chamando. Ela é das boas. Me considerou inocente, graças s Deus.
— Oi.
— Entre Pedro. Tudo bem? Deseja um copo com água?
— Não, obrigado, tô bem .
— Ok . Qual seu emprego anterior?
— Eu ajudava meu pai em um material de construção.
— Fazendo?
— Entregas.
— Tem conta no exterior?
— Quem me dera, não tenho não senhora. Oh, perdão, Senhorita.
— Ok. O que você sabe fazer dentro de uma empresa?
— Não muita coisa.
— Ei, o que foi? Por que você está com medo?
— Como você sabe o que estou sentindo?
— Não interessa.
— Eu não fiz nada.
— Eu sei, quem pegou o dinheiro foi seu colega, mas eu não entendo ainda porque você está nesse desespero todo, você é cúmplice dele?
— Não, eu nem sei como fui parar nesse rolo. Só porque sou novo na empresa não significa que sou ladrão.
— Eu sei. Só quero saber o que você tá escondendo porque se você não me contar eu vou ter que pedir ao delegado pra eu te interrogar na presença dele sobre esse seu nervoso e medo.
— Você descobriu tudo né? E tá me testando?
— Descobrí o quê, criatura?
— Que meu currículo é falso. Mas, olha doutora, eu não fiz nada de errado, eu juro. Eu não entendo nada de ADM mesmo, nunca estudei ADM em faculdade nenhuma, tudo o que sei eu aprendo só olhando. Tô dando meu melhor. Desculpe, não me prenda, por favor, eu não roubei esse dinheiro, eu só menti porque precisava do emprego. Meu sonho é morar fora, tô juntando dinheiro.
— Chocada! Pelo amor de Deus, pare de chorar. Se tem uma coisa que eu detesto é ver homem chorando. Misericórdia! Enxugue essas lágrimas que eu não vou te dedurar, às vezes eu também minto, mas só às vezes. Eu não vim aqui investigar outra situação que não seja a do sumiço da verba da empresa. Então eu não ouvi nada, não vi nada e não sei de nada, certo? Volte ao trabalho.
— Poxa policial, obrigado por entender.
— Pouxa administrador, por nada.
Ele sorriu e apertou minha mão. Eu olhei para o celular e disse:
— Podem vir.
Ana e Bruno entraram, com uma atitude incrédula. Ana perguntou:
— O que foi isso aqui? Isso é o que você chama de interrogatório? Ysa, me diga que você disse a verdade quando afirmou que conseguiria resolver isso...
— Claro! Só por que usei um método diferente não quer dizer que não seja eficiente. Sei exatamente o que estou fazendo. Pode prender o outro. Pedro é inocente.
Bruno logo protestou:
— Mas ele também tá errado, e essa história do currículo falso?
Olhei para Ana e disse:
— Ana, desculpe me meter, tô chegando hoje, mas não cabe a mim julgar. Que diferença tem entre ele e eu? Eu também não tenho diploma, mas posso te provar que sou competente o suficiente, estou te provando que tenho capacidade, então quem pode nos julgar? Dá uma chance a ele, observa se ele realmente sabe exercer o trabalho dele e se souber, dane-se o papel, o importante pra mim é ser eficiente, o resto é só padrão.
— Ysa, eu não sei o que dizer.
— Não diga nada.
— Vou chamar o delegado, ele é muito meu amigo.
— Ok.
Ana pegou o celular:
— Oi Maurício, você pode dar um pulinho aqui, querido?
— Algum problema, Ana?
— A minha nova assistente acabou de descobrir o culpado.
— Como ela fez isso?
— Não sei.
— Estou indo.
Ana veio até mim intrigada e super curiosa.
— Ysa, me conte, como você sabe quem é o culpado?
— Você não assistiu o interrogatório?
— Assisti e não entendi nada.”
— Ana, só confia em mim. Eu não costumo decepcionar as pessoas, principalmente as que eu gosto.
— Ok Ysa, mas me dá só uma palhinha, por favor!
— Ok, o que quer saber?
— Quero entender como você fez isso.
— Ok. Eu estudei micro expressões faciais, Ana. Você conhece Paul Ekman?

— Não.
— Pois ele é responsável por esta descoberta. A história dele é super interessante, depois você dá um Google, mas basicamente é uma leitura de mico expressões faciais, onde você entende o que a pessoa está sentido pelo que ela expressa na face e na postura corporal. Não se engane Ana, seu corpo fala.
— Meu deus, Ysa! Isso é seguro?
— Se a pessoa certa analisar, sim.
— Ysa, você é agente e policial então?
— Não exagera, Ana. Sou perita também, mas não vem ao caso.
— Como? Você é o que?
— Perita.
— Você tá me dizendo que trabalha com a polícia examinando cadáver?
— Sim e não. Eu não tô exercendo a profissão no momento, mas tecnicamente o que um perito faz é examinar a cena do crime , colher provas etc...
— Estou chocada com você, Ysa Flor. Como pode tão novinha e com tantas habilidades? O que mais você faz que eu não sei menina?!
— Ai Ana, aí parece que tô sendo exibida.
— Não! Eu tô perguntando porque preciso conhecer você melhor, apesar de que eu sinto que te conheço de algum lugar. Nos conhecemos há algumas horas, mas parece que te conheci há muito tempo, estranha essa sensação. Engraçado, essas coisas nunca acontecem comigo mas parece que somos íntimas.
— Eu também tive essa impressão, Ana, mas claro, deve ser porque te acompanho desde os 12 anos. Sou louca por suas músicas.
— Jura? Minha fã?
— Muito sua fã.
— Que honra!
— Honra minha ter o privilégio de trabalhar com você.
— Que isso, Ysa, eu tô ha pouco tempo aqui com você e pelo visto você vai me ensinar muita coisa.
— Eu? Kkkk, tadinha de mim. Não coloque tanta expectativa, kkkkk.
— Ele chegou! Vem Ysa, vou te apresentar ao delegado da cidade.
— Ok.
— Oi, Maurício - disse Ana estendendo a mão para cumprimentá-lo.
— Oi, Ana. Então, onde está a detetive?
— Detetive? Falei minha assessora. Aqui, Ysa Flor.

— Prazer, - disse ele estendendo a mão.
— Igualmente, delegado Maurício, - respondi, cumprimentando-o.
— Não precisa tanta formalidade, Ysa. Sou amigo da Ana há anos. Então foi você quem descobriu o culpado?
— Sim.
— Onde estão as provas? Ele confessou?
— Como você pode tá tão certa disso? Ysa, isso aqui é uma investigação séria, não é como brincar de detetive.
— Desculpe delegado, mas se tem alguém brincando aqui não sou eu. Você devia se especializar em algumas técnicas como a da IBMEF. Olha, eu recomendo, aproveita que você mora pertinho, você vai gostar.
— Do que você está falando?
— Tô falando que se você aprender o que eu aprendi sobre micro expressões faciais, decodificação da mentira e análise corporal, ninguém nunca mais vai mentir pra você. Claro que isso não é pra todo mundo, mas se você tiver habilidade, o que acho que tem, vai se sair bem e vai entender como funciona. Me passa seu e-mail, vou te mandar agora o contato da empresa onde me especializei.
— Espera criança, você está me dizendo que tem especialização em uma área dessa, tipo FBI?
— Estou dizendo sim, e os professores são meus grandes amigos, eu posso te dar suporte se precisar, já que é amigo de Ana então é meu amigo também. Bem vindo ao time.
— Obrigado, mas...time?
— É só uma gíria, mas você tá velho, não vai entender, deixa pra lá.
— Você me chamou de velho?”
— Kkkkk, chamei, vai me prender por isso? Calma, delegado, só to zuando. Você é lindo, e esse peito é inflável?
— O quê? Que garota ousada Ana, onde você encontrou?
— Já ouvi isso umas mil vezes hoje - disse Ana rindo - todos estão admirados.
— Licença gente, vou tomar um café pra ficar esperta! Aceitam? — Eu disse.
— Não, obrigada, - agradeceu Ana.
— Mais esperta que isso? Olha, vou te contar, Ana, essa garota vai dar trabalho - disse Mauricio.
— Oi, trouxe um cafezinho com um biscoitinho feito por mim. Sempre carrego na bolsa, é um biscoitinho de batata doce. Homem inflável, pode comer tranquilo que não faz mal.
— Por que ela está me chamando de homem inflável? - perguntou pra Ana.
— Não leva a sério, Maurício, kkkk , ela só tá brincando.
Ana provou e disse:
— Meu deus, Ysa, isso aqui é uma delicia. Como você faz?

— Com as mãos. Kkkkk, brincadeira, Aninha, depois te ensino.
— E porque o meu tem essa cor diferente do dele?
— Porque o seu não tem glúten, o dele tem.
— Como assim? Você trouxe biscoito pra mim? Como você sabe que não como glúten?
— Quando eu saí de casa pra essa entrevista acreditando que o emprego seria meu, imaginei o momento que eu ia te dar esses biscoitos que fiz pra você, e olha o momento aqui, acontecendo. Isso só prova o quanto somos capazes de criar nossa realidade. E sim, eu sei que você não pode comer glúten porque te acompanho desde os 12 anos de idade, então se não soubesse esse detalhe não seria sua fã. E sim, eu me preocupo com as pessoas, e apesar da maioria só ver meu lado sombra, eu tenho meu lado luz”.
— Nossa, filósofa também? — perguntou Ana sorrindo.
— Sim. Estudo filosofia e artes cênicas.
— Quê? Que mais você nos conta garota? — Perguntou Ana.
— Eu nada, a não ser que você pergunte.
— Então vamos lá. O que você sabe fazer de verdade?
— De verdade, Ana? Eu sei Ler pessoas. Sei saber se uma pessoa tá mentindo só pela voz dela. Sei fazer artesanato. Sei dançar. Sei cozinhar ...
— Nossa, e pelo visto faz tudo isso muito bem! Adorei os biscoitos, vou levar um pouco pra minha namorada.
— Não se preocupe, delegado, tenho outro na bolsa, vou pegar aqui para você levar pra ela. Diga que a Ysa mandou. Tome!
— Não Ysa, não precisa.
— Deixe de modéstia “homi”. E aceite vá, é de coração.
— Obrigado, então. Você é tão surreal que parece ser sonho, sabia? — disse Mauricio.
— Iiiii, isso pegou mal, sabia? Se sua namorada tivesse aqui ia ficar feio pro teu lado.
— Imagina, não falei por mal, você podia ser minha filha.
— Se eu fosse você não tinha tanta certeza assim. Não se desculpe, eu entendi, meu ego não é tão grande assim, rsrs... só preste atenção na composição da sua fala e em como você usa as palavras, ok?
— Ok. Acabamos de levar o suspeito para interrogá-lo, Ana. Olha, aconteceu aqui, fica aqui, ok? “
— Pode deixar, Maurício.
— Ysa, obrigado.
— Imagina , precisando é só chamar .
— Tchau.
— Tchau.
__________
Serendipity 11:11 - O Portal do Amor
Ysa Flor
Capítulo 6
_________
Instituto Brasileiro de Micro Expressão Facial:
コメント