Cap. 7 - Minha Nova Fase
- © by ysaflor
- 5 de nov. de 2019
- 7 min de leitura
Atualizado: 23 de jan. de 2023

Só faltava morar com Ana, o que não demorou 10 minutos para acontecer.
— Ysa, você tá contratada, você começa amanhã.
— Mas, Ana, e o contrato? Não tenho que assinar os papéis, não tenho que ir ao cartório?
— Não, Ysa, tenho um contador pessoal, ele vai resolver toda essa parte burocrática. Esse contrato aqui é só pra firmarmos um vínculo hoje, até tudo isso ficar pronto.
— Mas Ana, eu não esperava que seria contratada de imediato. Eu não moro aqui na cidade, só vim com a roupa do corpo, tem minha casa, minhas coisas, preciso voltar, entregar a casa, pedir demissão do emprego antigo, tenho coisas a resolver.
— O que? Você tá empregada?
— Claro Ana! Trabalho em um escritório de advocacia de manhã, à tarde trabalho com Felipe Neto fazendo críticas a séries e filmes para uma revista local, e à noite faço faculdade. A faculdade tenho que transferir e tem todo protocolo que não se faz de um dia pro outro. Deixei tudo meio que organizado porque na minha cabeça ainda iam ter 2 semanas até sair a resposta do emprego. E eu nem sabia se seria aprovada ou não. Mas de qualquer forma tá tudo meio que encaminhado.
— Acho que você não sabe com quem tá falando, menina. As coisas não se resolvem do dia pra noite quando não temos dinheiro, quando não temos amigos, quando não temos contatos. Mas com essas três coisas tudo se resolve em um passe de mágica, quer ver? Me passa teu endereço que mando uma equipe limpar, embalar e deixar a casa vazia em 24 hs. Eles transferem suas coisas pra cá em segurança. Conheço uma equipe ótima. Eles embalam até os talheres e contam até suas calcinhas.
— Credo Ana, que horror!
— Horror, nada, são super de confiança. Se tiver dinheiro, eles colocam no saquinho de pertences, não se preocupe.
— Não guardo dinheiro em casa, Ana.
— Melhor ainda, me dá o endereço.
— Mas Ana, gosto de tratar pessoalmente, preciso devolver a chave da casa.
— Chamo um chaveiro, ele troca o segredo é dá ao dono. Você não disse que tem um amigo na cidade?
— Tenho sim, o Felipe Neto.
— Então, pede a ele pra entregar a chave e conversar com o dono que foi uma emergência. Você deve alguma coisa ao dono da casa?
— Não Ana, nada, na verdade tenho dinheiro do calção na mão dele.
— Perfeito, pode deixar esse dinheiro na mão ele por estar saindo antes do contrato acabar. Pode deixar que eu te devolvo.
— Ana, você é bem louca!
— Não Ysa, gosto de praticidade, e depois que vi sua eficiência não sou louca de te perder. Você acha que vou deixar você sair por aquela porta pra outro contratar? De jeito nenhum, você é minha.
— Eu hein, quer me comprar?
— Se pudesse compraria. E aí, você tá a venda?
— Engraçadinha .... Mas, Ana, não tenho onde ficar aqui na cidade.
— Você fica comigo, Ysa.
— Não posso aceitar, Ana.
— Não perguntei se queria. Isso é um ultimato.
— Posso ficar um hotel, então, até conseguir alugar algo por aqui
— É capaz que morando na mansão que moro vou deixar uma agente do FBI em um hotel, de jeito nenhum.
— kkkkk, quem te falou que sou agente?
— Mandei meu detetive levantar o histórico de toda sua vida. Ele já me mandou o seu dossiê aqui no meu celular. Você tem passagem na Abin, menina, você me surpreende demais, fala aqui que você é venerada pelos colegas de trabalho e que seu apelido na empresa é 17 porque demitiu 17 funcionários e ficou com o cargo deles, kkkkkk. Você é real, menina? Falam que você é seria, estudiosa, comportada, sem vícios, mas que os homens da cidade estendem o tapete vermelho pra você passar e você não dá ousadia a nenhum. Você só teve 2 namorados em toda sua vida, e se você continuar restrita assim vai morrer solteira. Tão nova e tão viciada em estudo e trabalho, menina, você precisa viver.
— Engraçadinho esse seu dossiê, que palhaçada, Ana. Não contaram também quantas vezes eu transei?”
— Pelo visto poucas, se é que transa. Não cabe aqui nessa sua agenda, não tô vendo tempo pra isso. Você precisa viver, criança.
— É Ana, preciso viver, comer, pagar conta, enfim, essa é minha vida.
— Chega, você fica! Sinto muito por sua família, Ysa. Aqui fala que seus pais biológicos morreram em um acidente de carro quando você tinha 7 anos, e que aos 17 você fugiu de casa porque sofria maus tratos da família que lhe criou. Que coisa horrível, Ysa. Você precisa de um psicólogo? Eu pago pra você.
— Ana, tá tarde pra psicólogo, tudo o que eu tive que passar passei e superei. Não tem nada mal resolvido na minha vida e nem no meu passado. Eu não deixei pendências por onde passei. Graças a Deus não tenho nada a esconder, e se você perguntasse eu mesmo lhe contaria.
— Desculpe, Ysa, mas queria muito te levar pra casa e não poderia sem antes saber sua procedência. Espero que me entenda.
— Sim Ana, claro! Se você não fizesse eu a chamaria de louca. Mas se quiser detalhes eu mesma posso contar.
— Ah, com certeza, sua vida teve muitas emoções.
— Não tantas...
— Não é o que fala aqui. Você entrou em um curso de treinamento policial disfarçada de homem, e ainda fez os votos de honra? Daria de tudo pra ver isso.”
— kkkkk, isso foi só uma pitadinha, Ana.
— Você é uma figura. Vamos?
— Pra onde, posso saber?”
— Pra minha casa. Vai recusar meu convite? Não disse que era minha fã?
— Sou Ana.
— Tá com medo de mim?
— Eu tô achando surreal você me convidar pra morar com você, assim.
— Assim? Você viu o que você fez em minha vida no primeiro dia de contratação? Você salvou a minha empresa, garota! Vamos, é só alguns dias até você achar seu ap.
— Esse é seu endereço?
— É, mas se tinha meu endereço, pra que pediu?
— Pra testar sua honestidade.
— Ai Ana, vou te ensinar truques melhores pra testar alguém. Vou aceitar seu convite porque devo está sonhando.
— Vamos, menina. Vou te apresentar ao Chico e ao Chapecó.
— Quem são?
— Meu cachorro e o meu papagaio.
— Ai, adoro bichos Ana.
— Vi no seu histórico que você alimenta os animais de rua.
— Ave Maria, seu detetive é bom.
— É sim, e por incrível que pareça foi seu colega de classe.
— Merda! É o Souto?
— Ele mesmo.
— Puta Merda!
— O que foi?
— Vai contar todos os meus podres.
— To louca pra saber, porque até agora só vi coisas boas. Vamos logo!
— Tá bom.
— Alô, mandem começar a mudança da Ysa.
— Ok, dona Ana. E pra qual endereço encaminhamos as coisas dela?
— Para o depósito que vou mandar o endereço. Ysa, suas coisas vão ficar em um depósito em segurança até conseguir seu AP. O que faço com as coisas perecíveis?
— Doe, Ana.
— Ok.
— Ana, e o Felipe? Não posso ser ingrata de sumir assim, eu só tô aqui com você por causa dele. Preciso me despedir.
— Ai, Ysa, convida ele pra te visitar lá em casa. Compre as passagens e mande para ele. Lá em casa tem 6 quartos. Ele pode passar o final de semana lá quando quiser. Se é seu amigo, deve ser gente boa.
— Você não conhece o Felipe Neto?
— Nunca ouvi falar.
— Me dá teu celular. Olha aqui no YouTube.
— Nossa, Ysa, que figura! Ele fala mal de todo mundo assim mesmo?
— Não Ana, ele só zoa. Ele é inteligentíssimo, só é retardando assim quando quer. Há um outro lado do Felipe que só eu conheço, Ana. Não se assuste, mas ele é mais sério que as pessoas imaginam.
— Jura?
— Sim.
— Então tá. Olha, fique a vontade, minha casa é sua casa até você mudar. Leve quem quiser, se quiser namorar lá é só usar seu quarto.
— Que isso, Ana Carolina!?
— Sexo, você não faz?
— Não, não to namorando Ana.
— E daí?
— Esquece Ana.
— Você só faz sexo se tiver namorando?
— Não é o que as pessoas normais fazem?
— Então eu sou muito anormal, Kkkkkkk. Brincadeira, não sou nenhuma pervertida, só que às vezes rola, né ? Super normal, deixa pra lá, só quero que você fique a vontade, o que acontecer no seu quarto não me interessa. Se você quiser qualquer coisa, basta me pedir, ok? Você é de maior mesmo, né?
— Claro, Ana Carolina.
— Essa carinha de criança... Devo lhe falar sobre métodos anticoncepcionais?
—Tarde demais Ana, sei me cuidar.
— Ok.
— Ana, já sou adulta, não se preocupe.
— Eu sei Ysa, só tô fazendo o que acho que deve ser feito. Se precisar conversar sobre qualquer coisa, tô disponível.
—Tá Ana.
— Chegamos, Ysa.
— Nossa, que lindo, Ana! E os segurança, onde estão?
— No carro, atrás da gente.
— Não Ana, falo dos seguranças da sua casa.
— Não tenho.
— Como assim não tem?
— São os mesmos.
— Tá errado, Ana. Esse campo de visão é enorme, você não sabe do que as pessoas são capazes, você não tá segura. Tem que ter dois caras nessa guarita, vou providenciar isso amanhã.
— Ysa, você vai ser paga pra cuidar da minha agenda e não da minha segurança, já tem gente fazendo isso.
— Se você me contratar vai ter que aceitar o pacote, Ana. Não posso ver esse tipo de falha e deixar por isso mesmo. Vou te apresentar o plano de ação que facilita a entrada de qualquer pessoa dentro dessa casa.
— Nossa, Ysa, você me assusta.
— Não precisa se assustar, só prevenir.
— Olha aqui.
Apresentei meu mapa mental a ela, e ela viu que realmente não era frescura, ela estava desprotegida e nem sabia.
— Ysa Flor, quero você cuidando da segurança também, vou te pagar a mais por isso, então será outro contrato.
— Ok Ana. Vou dar o meu melhor.
E foi assim que a minha vida deu início a uma nova fase. Eu vivia Ana, respirava Ana e já morava com Ana. Em pouco tempo já estávamos tão apegadas que parecia que nos conhecíamos a vida inteira.

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Ysa Flor
Serendipity 11:11
O Portal do Amor
Capítulo 7
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No próximo capitulo, Ysa faz uma descoberta importante sobre Ana. O que será que ela vai descobrir?
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